Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo: o resumo dos contos da taverna
Resumo escrito para o acervo Net Love em 30 de setembro de 2026. A apresentação, os comentários e a organização em blocos são nossos, de 2026, e não são de Álvares de Azevedo. A obra é dele: saiu em 1855, três anos depois da morte do autor, em 1852, e está em domínio público no Brasil. O texto que lemos e citamos é a transcrição da Wikisource em português, feita da segunda edição das obras do autor (Rio de Janeiro, Livraria de B. L. Garnier, 1862, tomo II), uma página por capítulo. A transcrição mistura grafia antiga, como "seculo" e "historia", com grafia de hoje, e tem erros de digitação que vêm dela; nós não mexemos em nada. Os contos falam de necrofilia, incesto, canibalismo, violência sexual e assassinato; o resumo nomeia esses temas e não os descreve. As figuras deste texto foram geradas por inteligência artificial em 2026.
Uma noite do século
O livro tem sete capítulos curtos.
O primeiro se chama "Uma noite do seculo" e monta a cena: uma taverna, alta noite, um grupo de moços à mesa, vinho e cachimbo.
Na conversa, alguém lembra as "mortalhas do cólera".
Johann, Bertram, Solfieri, Archibald e os outros discutem a alma, Deus e o prazer, e brindam ao vinho.
Um deles descreve a noite assim:
Quando as núvens correm negras no céu como um bando de corvos errantes e a lua desmaia como a luz de uma lâmpada sobre a alvura de uma beleza que dorme, que melhor noite que a passada ao reflexo das tachas?
Noite na Taverna, capítulo I, Uma noite do seculo
Archibald pede "uma historia sanguinolenta".
Solfieri se oferece e avisa que não é invenção: "Não é um conto, é uma lembrança do passado."
Arnold, o loiro, já dorme.
Solfieri falou: os mais fizeram silêncio.
Noite na Taverna, capítulo I, Uma noite do seculo
Os cinco capítulos seguintes levam o nome de quem fala.
São cinco narradores, e todos contam histórias em que eles mesmos cometem ou assistem a crimes.

Solfieri
A história de Solfieri começa em Roma.
Era em Roma. Uma noite a lua ia bela como vai ela no verão pôr aquele céu morno, o fresco das águas se exalava como um suspiro do leito do Tibre.
Noite na Taverna, capítulo II, Solfieri
Ele vê numa janela uma mulher pálida que chora e canta.
Segue a mulher pela chuva até um campo de cruzes, um cemitério, e ali perde a mulher de vista.
Acorda de manhã sozinho, com febre.
Um ano depois, depois de uma noite de bebida, ele se vê numa igreja escura, diante de um caixão entreaberto.
Dentro está uma moça que ele toma por morta e que lhe lembra a mulher do cemitério.
Achando que ela está morta, Solfieri comete necrofilia.
A moça então abre os olhos: não estava morta.
O próprio Solfieri dá o nome ao que aconteceu: "Nunca ouvistes falar da catalepsia?"
Ele a leva para casa nos braços, enrolada no sudário, e passa por uma patrulha dizendo que é a mulher dele, desmaiada.
Em casa, ela ri e delira por dois dias e duas noites, e morre.
Solfieri encomenda a um escultor uma estátua de cera da moça, cava um túmulo sob o chão do próprio quarto e dorme um ano sobre ele.
Quando os amigos perguntam se tudo aquilo é um conto, ele jura que não e mostra o que diz ser a prova.
Abriu a camisa, e viram-lhe ao pescoço uma grinalda de flores mirradas.
Noite na Taverna, capítulo II, Solfieri
Bertram
Bertram tem cabelo ruivo e olhos "de verde-mar".
A história dele começa por uma mulher, em Cádiz, na Espanha.
Amei muito essa moça, chamava-se Ângela.
Noite na Taverna, capítulo III, Bertram
Ele tem de ir para a Dinamarca, onde o pai o chama, e volta dois anos depois.
Ângela está casada e tem um filho.
Os dois viram amantes, e o marido descobre.
Numa noite, Ângela leva Bertram pela mão até uma sala escura: ela matou o marido e a criança, e quer fugir com ele.
Os dois fogem, e ela passa a viajar vestida de homem, até que um dia vai embora.
Bertram se perde no jogo, na bebida e nos duelos.
Foge com a filha de um velho fidalgo que o tinha acolhido.
Depois, jogando com um pirata, Siegfried, perde as últimas joias dela e vende a moça a ele.
Na Itália, tenta se matar no mar.
Alguém o tira da água pelo cabelo, e Bertram, lutando para respirar, acaba afogando quem o salvou.
Uma corveta o recolhe.
Quando o comandante pergunta a história dele, Bertram responde:
Meu nome é Bertram. Minha história? escutai: O passado é um túmulo!
Noite na Taverna, capítulo III, Bertram
A bordo está a mulher do comandante, e os dois viram amantes.
Depois de um combate com um navio pirata, a corveta encalha num banco de areia, e os que sobram vão para uma jangada.
A comida acaba.
Os três últimos tiram a sorte, e a sorte cai no comandante.
Ele pede para viver, os dois lutam, e Bertram o mata.
O próprio Bertram dá o nome ao que vem depois: "a antropofagia".
A mulher enlouquece, e Bertram a mata também.
Ele é recolhido por um navio inglês.
Era o brigue inglês Swallow, que me salvara...
Noite na Taverna, capítulo III, Bertram
O velho da caveira
No meio da história de Bertram, entra na taverna um velho que vinha da chuva.
Ele diz que foi soldado, poeta e vagabundo: "Fui um poeta aos vinte anos, um libertino aos trinta".
Tira do bolso um embrulho, e dentro há uma caveira, que ele diz ser a de um poeta louco, Werner.
Faz um brinde, bebe e vai embora.
Bertram então retoma o relato.

Gennaro
Gennaro diz aos amigos que é pintor.
Aos dezoito anos, era aprendiz de um velho pintor, Godofredo Walsh.
O mestre tinha casado de novo com Nauza, de vinte anos, e tinha uma filha do primeiro casamento, Laura, de quinze.
Eu tinha quase a idade da mulher do mestre.
Noite na Taverna, capítulo IV, Gennaro
Gennaro ama Nauza, mas é Laura quem vai ao quarto dele, e os dois viram amantes.
Laura engravida.
Pede que ele case com ela, e ele fica calado.
Algum tempo depois, ela morre com febre, dizendo que o perdoa e falando do filho "que matei... antes de nascer".
Depois disso, Gennaro e Nauza viram amantes.
O mestre passa as noites no quarto da filha morta, e anda pela casa dormindo.
O mestre era sonâmbulo...
Noite na Taverna, capítulo IV, Gennaro
Numa dessas noites, diante de um quadro de Laura, Gennaro confessa tudo.
Mais tarde, o mestre leva Gennaro à noite para as montanhas, para a beira de um despenhadeiro, conta a história do aprendiz que traiu o mestre e diz que ele vai morrer ali.
Gennaro responde "Estou pronto" e cai.
Uma árvore o segura, e camponeses o recolhem perto do rio.
Quando volta à casa do mestre, com o punhal que achou no caminho, encontra tudo fechado.
No quarto de Nauza estão ela e o velho, mortos, e entre os dois um copo com um pó branco que Gennaro supõe ser veneno.
Ele diz que a velha de uma cabana da montanha vendia veneno.
Claudius Hermann
Claudius Hermann era muito rico em Londres.
Aposta a fortuna inteira numa corrida de cavalos, e ali vê passar a cavalo uma mulher.
No fim do dia, tinha dobrado a fortuna.
Nos dias seguintes, volta a ver a mulher no teatro e num baile: é a duquesa Eleonora.
Seis meses depois, compra de um criado uma chave e uma hora.
Dá à duquesa, adormecida, um narcótico, e comete violência sexual contra ela.
Durante um mês, faz isso de novo.
Ele conta a primeira cena como se falasse de outro homem, e só no fim dela diz quem era.
O homem era Claudius Hermann.
Noite na Taverna, capítulo V, Claudius Hermann
Numa noite, depois de um baile, ele a rapta, ainda dormindo, num carro de viagem.
Numa estalagem, ela acorda, pede para ir embora, pede socorro, e ele a impede.
Ele fala de amor e de fuga pela Europa, e também faz uma ameaça de violência, se ela recusar.
Ela lê uns versos dele, reza, diz "Irei contigo" e desmaia.
Aqui parou a historia de Claudius Hermann.
Noite na Taverna, capítulo V, Claudius Hermann
Claudius não quer mais falar e diz que esqueceu tudo.
Quem conta o fim é Arnold, que acorda.
Um dia, Claudius entrou em casa e encontrou Eleonora morta e, num canto, um homem enlouquecido abraçado ao corpo dela: era o duque Maffio.
Arnold não diz como ela morreu.
Logo depois, Arnold volta a dormir.
A seguir vêm a história de Johann e o desfecho do livro. Se você prefere chegar lá sem saber, pare neste parágrafo.
Johann
A última história é a de Johann, e começa assim:
Era em Paris, num bilhar.
Noite na Taverna, capítulo VI, Johann
O adversário é um moço loiro chamado Artur.
Na jogada decisiva, o moço encosta na mesa, a bola desvia, e Johann perde.
Johann dá uma bofetada em Artur, e o moço responde com uma luva no rosto.
Os dois saem para um duelo de morte, com duas pistolas, uma carregada e outra não.
Antes, Artur escreve uma carta para a mãe e brinda a uma mulher cujo nome não diz.
Atiram à queima-roupa, e Artur cai.
No bolso dele, Johann acha dois bilhetes: a carta para a mãe e um convite para um encontro, à uma hora da noite, com a porta aberta.
O convite termina com "Tua G.".
Não tinha outra assinatura.
Noite na Taverna, capítulo VI, Johann
Com o anel de Artur no dedo, Johann vai ao encontro no escuro e se faz passar por ele.
A moça o recebe pensando que é Artur, e os dois passam a noite juntos.
Na saída, um homem o ataca com uma faca, e Johann o mata na luta.
À luz de um lampião, vê o rosto do morto: era o irmão dele.
Sobe de volta, e a última frase do capítulo diz quem era a moça: "Era minha irmã!"
Sem saber, Johann tinha passado a noite com a própria irmã: é o incesto do livro.
Último beijo de amor
O capítulo final não tem narrador à mesa.
A orgia acabou, e todos dormem.
A noite ia alta: a orgia findara. Os convivas dormiam repletos, nas trevas.
Noite na Taverna, capítulo VII, Ultimo beijo de amor
Entra uma mulher pálida, vestida de negro, com uma lanterna.
Ela procura um rosto entre os que dormem, para diante de Arnold, depois vai até Johann e o mata com um punhal.
Então acorda Arnold.
Ela é Giorgia, e os dois não se viam havia cinco anos.
Arnold conta que é o moço do bilhar: sobreviveu ao duelo e acordou num hospital.
E pede que ela o chame pelo nome de antes, Artur.
Giorgia diz que vai morrer.
Depois mostra Johann a Arnold e conta que ele era um infame, que foi ele quem deixou Artur por morto, e que foi ele quem a desonrou, a ela, que era irmã dele.
Arnold se recusa a ficar vivo sem ela.
Ela cai, e ele se mata com o punhal.
O livro termina com esta frase.
A lâmpada apagou-se.
Noite na Taverna, capítulo VII, Ultimo beijo de amor

Uma nota sobre 1855
Noite na Taverna é um livro do romantismo.
Cada capítulo abre com uma epígrafe, e entre os autores delas estão Byron, Shakespeare e Alexandre Dumas.
As histórias se passam na Europa, em Roma, Cádiz, Londres e Paris, e nenhuma no Brasil.
Quem conta os crimes são os próprios criminosos, bêbados, diante dos amigos.
Na nossa leitura, Solfieri, Bertram e Claudius contam o que fizeram a mulheres como aventura, fatalidade ou amor.
Os ouvintes reagem com brindes, zombaria e, às vezes, espanto.
Johann, no fim da história dele, treme e diz: "Na verdade que sou um maldito!"
O resumo conta isso como está no texto, sem descrever os atos.
Por que ler hoje
Porque é um livro curto, de sete capítulos, com cinco relatos entre uma abertura na taverna e um desfecho.
E porque o último capítulo muda o sentido da história de Johann e da vida de Arnold, que dorme quase a noite inteira à mesa e só acorda para contar o fim de Claudius e para o desfecho.
Cada leitor decide o que fazer com esse fim.
Leia o livro inteiro, na transcrição publicada pela Wikisource em português, feita da segunda edição, de 1862, com os 7 capítulos em páginas separadas. É dessa mesma transcrição que saem os trechos citados aqui, na grafia da fonte. Noite na Taverna não está no acervo da Net Love. A obra está em domínio público no Brasil.
Este texto é da série Resumos de Livros. Outros da série são A Moreninha, O Guarani, Iracema e Senhora.
Este resumo é uma leitura de 2026, escrita para o acervo Net Love, e não substitui o livro. A obra é de Álvares de Azevedo. Os trechos citados vêm da transcrição da Wikisource em português, feita da segunda edição das obras do autor, de 1862, e saíram dos capítulos 1 a 7. A grafia da fonte não foi atualizada. As citações não trazem travessão de diálogo, e nenhuma descreve os crimes. A nota sobre 1855 foi escrita aqui e não cita nenhum crítico.
Continue em Resumos de Livros
- Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente: o resumo da peça das duas barcas2.328 palavras
- O Guarani, de José de Alencar: o resumo do romance que inventou o índio-cavaleiro2.299 palavras
- O Alienista, de Machado de Assis: o resumo da novela em que a ciência interna quase uma vila inteira2.286 palavras



