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Nísia Floresta (1810-1885)

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Nísia Floresta Brasileira Augusta é o pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, nascida em 12 de outubro de 1810, em Papari, no atual Rio Grande do Norte, e morta em Rouen, na França, em 24 de abril de 1885, aos 74 anos.

Filha de um advogado português e de uma brasileira de família tradicional da região, mudou de cidade várias vezes na infância por causa das revoltas no Nordeste e começou a estudar num convento de carmelitas em Goiana. Casou-se aos treze anos, em 1823, com um proprietário de terras, e o casamento durou poucos meses. Em 1828, seu pai foi assassinado depois de atuar numa causa contra uma família poderosa de Pernambuco.

Em 1831, publicou artigos sobre a condição feminina no jornal pernambucano Espelho das Brasileiras. Em 1832, veio Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens, primeiro livro que assinou com o pseudônimo. Por muito tempo foi apresentado como adaptação da obra da inglesa Mary Wollstonecraft, inspiração que a própria Nísia indicou. Estudos de Pallares-Burke (1995) e de Oliveira e Martins (2012) mostraram que se trata, na verdade, de tradução integral de um texto francês de 1750, por sua vez tradução de um panfleto inglês assinado apenas Sophia.

Chegou ao Rio de Janeiro em janeiro de 1838 e fundou ali o Colégio Augusto, para meninas. A escola juntava o ensino tradicional feminino a ciências, línguas, história, geografia e literatura, e foi criticada por concorrentes, que viam esses estudos como desnecessários às mulheres.

Para ela, a principal causa da discriminação da mulher era a falta de educação formal, e a instrução permitiria às mulheres tomar consciência da própria condição. Escreveu obras em defesa das mulheres, dos indígenas e dos escravizados, e dedicou à filha Lívia o livro Conselhos à Minha Filha.

Em 1849, partiu para a Europa por recomendação médica, para tratar da filha. Voltou em 1852 e publicou, em 1853, o Opúsculo Humanitário, coletânea de artigos sobre educação feminina que recebeu uma apreciação favorável do filósofo Auguste Comte, a cujas aulas assistira em Paris. Em 1856, voltou à Europa e ficou até 1872, viajando pela Itália e pela Grécia e publicando em francês.

Em 1948, o município de Papari passou a se chamar Nísia Floresta, e em 1954 recebeu os restos mortais dela. Um museu com o nome da escritora foi inaugurado ali em 2012. Ela é apontada como pioneira da educação feminista no Brasil.

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