A um Poeta (Olavo Bilac)
Longe do esteril turbilhão da rua,
Benedictino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciencia e no socego,
Trabalha, e teima, e lima, e soffre, e súa!
Mas que na fórma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nüa,
Rica mas sóbria, como um templo grego.
Não se mostre na fabrica o supplicio
Do mestre. E, natural, o effeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edificio:
Porque a Belleza, gemea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artificio,
E' a força e a graça na simplicidade.
Para conferir
- Tarde, de Olavo Bilac, edição de 1919: o texto do soneto e a grafia de 1919 (esteril, socego, nüa, Belleza), preservada sem modernização, no fac-símile do livro.
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