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Lágrimas Ocultas

Florbela Espanca

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14 versos

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era qu'rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Às Portas da Eternidade, Vincent van Gogh
Às Portas da Eternidade, Vincent van GoghArte escolhida pelo tema solidão. Domínio público. Ver no Wikimedia Commons