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Florbela Espanca

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14 versos

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida 
Meus olhos andam cegos de te ver ! 
Não és sequer razão do meu viver, 
Pois que tu és já toda a minha vida ! 
Não vejo nada assim enlouquecida ... 
Passo no mundo, meu amor, a ler 
No misterioso livro do teu ser 
A mesma história tantas vezes lida! 

Tudo no mundo é frágil, tudo passa ... 
Quando me dizem isto, toda a graça 
Duma boca divina fala em mim ! 

E, olhos postos em ti, digo de rastros: 
Ah! Podem voar mundos, morrer astros, 
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!

O Rato de Biblioteca, Carl Spitzweg
O Rato de Biblioteca, Carl SpitzwegArte escolhida pelo tema poesia. Domínio público. Ver no Wikimedia Commons