Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)
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Jean-Jacques Rousseau nasceu em 1712, na cidade-estado calvinista de Genebra, filho de Isaac Rousseau, relojoeiro, e de Suzanne Bernard. A mãe morreu nove dias depois do parto, e o pai o educou até os dez anos. Quando o pai fugiu da cidade para evitar a prisão, o menino foi entregue aos cuidados de um pastor e depois a um gravador, de quem foi aprendiz.
Aos dezesseis anos, deixou Genebra e, sob a influência da baronesa de Warens, converteu-se ao catolicismo em Turim, em 1728. Teve vários ofícios, de criado a músico itinerante, copista de música e professor, e passou um breve período em formação para o sacerdócio. Em 1742, chegou a Paris. Lá conheceu Diderot e, quando passou a viver na cidade de forma mais permanente, a partir de 1744, começou a escrever para a Enciclopédia.
Em 1745, conheceu Thérèse Levasseur, que se tornou sua companheira e, mais tarde, sua esposa. Segundo o próprio Rousseau, os cinco filhos do casal foram deixados num orfanato logo depois de nascer, o que na França do século XVIII era quase uma sentença de morte.
Em 1749, a caminho de visitar Diderot, então preso, Rousseau leu o anúncio de um concurso da Academia de Dijon: o desenvolvimento das artes e das ciências tinha melhorado ou corrompido os costumes? Ele contou depois que ali teve a ideia central de sua visão de mundo, a de que o ser humano é bom por natureza e a sociedade o corrompe. Seu Discurso sobre as Ciências e as Artes ganhou o primeiro prêmio e saiu em 1751. Em 1755, publicou o Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens, e a distância entre ele e os enciclopedistas ficou clara.
Em 1762, saíram Emílio, ou Da Educação e Do Contrato Social. O Emílio foi condenado em Paris, e os dois livros foram condenados em Genebra por heterodoxia religiosa. Em maio de 1763, Rousseau renunciou à cidadania genebrina. Forçado a fugir para escapar à prisão, buscou refúgio primeiro na Suíça e, em 1766, na Inglaterra, a convite de David Hume. Lá passou a acreditar, sem que isso tenha sido comprovado, que Hume participava de uma conspiração contra ele. Voltou à França em 1767 e escreveu textos autobiográficos, como as Confissões. Morreu em 1778. Em 1794, os revolucionários franceses levaram seus restos para o Panteão, em Paris.
Em política, sua doutrina central é que um Estado só é legítimo se for guiado pela vontade geral de seus membros: a vontade coletiva do corpo de cidadãos tomado como um todo, fonte da lei e, segundo ele, querida por cada cidadão, de modo que, ao obedecer à lei, cada pessoa obedece à própria vontade. Na educação, defendeu o que chamou de educação negativa, centrada na criança, em que ela se desenvolve em harmonia com suas capacidades naturais, por uma descoberta aparentemente autônoma, em vez de seguir um currículo predeterminado, transmitido por um mestre na posição de autoridade.
Para conferir
- Stanford Encyclopedia of Philosophy: Nascimento em 1712 em Genebra, pais e infância; conversão em Turim em 1728; Paris e Diderot; Thérèse Levasseur e os cinco filhos; concurso de Dijon em 1749 e Primeiro Discurso (publicado em 1751); Segundo Discurso (1755); Júlia (1761), Emílio e Do Contrato Social (1762) e as condenações; renúncia à cidadania em 1763; Inglaterra e Hume em 1766; volta à França em 1767; morte em 1778 e transferência para o Panteão em 1794; vontade geral e educação negativa.







