Hera, a que guarda o juramento novo
Hera é irmã e mulher de Zeus, e é a deusa do casamento, o que no Olimpo é uma ironia de proporções infinitas. Cada traição do marido vira uma perseguição dela, e é por isso que ela aparece nas histórias quase sempre como a que castiga: Io virada em novilha, Calisto virada em ursa, Hércules perseguido do berço ao último trabalho.
Mas o que ela guarda não é o ciúme: é o vínculo. Para o grego, o casamento era um juramento diante dos deuses, e quebrá-lo era ofender a ordem do mundo, não só a pessoa ao lado. Hera é a cobrança desse juramento em forma de deusa, e a fúria dela mede o tamanho do que foi rompido.
O pavão é dela por causa de Argos, o vigia de cem olhos que ela pôs para guardar Io. Quando Hermes matou o gigante, Hera recolheu os cem olhos e os espalhou na cauda da ave, que passou a carregar para sempre a vigilância que falhou.
Do nome dela veio o de uma cidade inteira, Heraion, e a palavra heroína, que na origem quer dizer a protegida de Hera, e não a mulher corajosa: o sentido mudou pelo caminho, como costuma acontecer com tudo o que é muito antigo.
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