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Frases de aposentadoria, do relógio de ponto à agenda sem alarme

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447 palavras

Quem trabalhou por anos bateu o cartão no relógio de ponto, salvou tabelas no disquete e, hoje, deixa o despertador do celular calado. Estas vinte frases são ditas a quem se aposenta e também por quem se despede dos colegas que ficam.

Cubro a máquina de escrever pela última vez, demoro a tirar a mão da capa e depois aperto a mão de quem trabalhou comigo.

Quando você batia o cartão no relógio de ponto, até quem chegava aflito puxava a cadeira e respirava fundo ao seu lado.

Mesmo com a impressora matricial puxando o formulário contínuo na sala, você ouvia até o fim quem pedia ajuda.

Guardei no bolso o fax com o recado de despedida que vocês assinaram, ainda quente da máquina.

Quando a ficha caía no orelhão da esquina para você avisar do ônibus atrasado, a gente já esquentava seu jantar.

Quando o bip apitava no seu cinto em pleno jantar, você largava o garfo e saía sem reclamar do plantão.

Guardei o disquete com as tabelas do setor numa caixa e demorei a fechar a tampa, olhando a etiqueta com minha letra.

Rebobinei no videocassete a fita VHS da nossa confraternização e passei a tarde parando a imagem para lembrar a história de cada colega.

Enquanto o modem discado chiava para conectar no fim do expediente, você ficava ao nosso lado conferindo cada conta.

Gravei um CD com as fotos da nossa equipe, fiz uma cópia para cada colega e escrevi obrigado na capa de todas.

Entreguei o celular de abrir do trabalho no último dia, depois de copiar o número de cada colega num caderninho.

Você digitava devagar um torpedo para quem estava de plantão sozinho, só para perguntar se já tinha jantado.

Assim que a janela do MSN piscava às seis da tarde, já sabíamos que você chamava a turma para o café.

Aquele pen drive pendurado na sua chave já tirou muita gente do aperto quando um documento sumia perto do prazo.

Uma mensagem sua no grupo de WhatsApp da escala, perguntando se todo mundo tinha almoçado, já deixava o plantão mais leve.

Ouvimos de novo aquele seu áudio de três minutos antes de começar o primeiro plantão depois da sua aposentadoria.

Abri a pasta na nuvem no último dia, reli os comentários que vocês deixaram nos arquivos e demorei a sair.

Na hora de encerrar a última chamada de vídeo, esperei cada colega acenar na tela.

No meu último dia, guardei o fone sem fio no estojo, deixei a gaveta aberta e fiquei ali parado enquanto a sala esvaziava.

Hoje o celular ficou calado na mesa de cabeceira, sem despertador, e você tomou o café devagar, olhando a janela.