Apolo, a luz e a medida novo
Apolo é o deus do sol, da música, da poesia, da medicina e das profecias, e essa lista só parece desconexa para quem não vê o que há em comum: tudo ali é ordem, proporção e clareza. Ele é o oposto exato do delírio, e por isso Nietzsche o usou como nome de metade do que existe na arte.
O oráculo de Delfos era dele, e no frontão do templo estava escrito conhece-te a ti mesmo e nada em excesso. Não são conselhos de autoajuda: são a lei da medida, a ideia de que ultrapassar o próprio limite é a ofensa que os deuses menos perdoam.
A lira ele ganhou de Hermes, ainda recém-nascido, em troca do gado que o menino lhe havia roubado. A música do Olimpo começa, portanto, com um acerto de contas entre um ladrão e a vítima, o que é muito grego.
A história mais triste dele é a de Dafne, a ninfa que fugiu do seu amor e pediu socorro ao pai, um deus-rio, que a transformou em loureiro. Apolo abraçou a árvore e fez dela a sua coroa. É por isso que o vencedor recebe louros, e é por isso que a palavra laureado existe.



