Afrodite, a que nasceu da espuma novo
Afrodite não tem mãe nem pai no sentido comum: nasceu da espuma do mar, perto de Chipre, e o nome dela guarda essa origem, porque aphrós é espuma em grego. Chegou à praia numa concha, e foi essa cena que Botticelli pintou três mil anos depois.
É a deusa do desejo, e o desejo na Grécia não era assunto ameno: era uma força que desorganiza a vida de quem é atingido. Ela não promete felicidade, promete atração, e as histórias dela estão cheias de gente arruinada por causa disso.
Foi Afrodite quem prometeu a mulher mais bela do mundo a Páris, num concurso de beleza entre deusas, e a mulher já era casada com um rei grego. O prêmio se chamava Helena, e o preço foi a guerra de Troia: dez anos de cerco porque um pastor escolheu a beleza em vez do poder e da sabedoria.
O espelho que se vê nas imagens virou, na ciência, o símbolo do feminino, e é a mesma figura que a biologia usa hoje para marcar a fêmea de qualquer espécie. Poucos símbolos antigos chegaram tão longe com tão pouca mudança.
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