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Tobias Barreto (1839-1889)

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Tobias Barreto nasceu em 7 de junho de 1839, em Campos do Rio Real, em Sergipe, e morreu em Recife em 26 de junho de 1889, aos cinquenta anos. Era mestiço e, segundo a biografia de que dispomos, acreditava ser discriminado por isso.

Estudou na Faculdade de Direito do Recife. Em 1867, ficou em primeiro lugar no concurso para professor de filosofia do Ginásio Pernambucano, mas a vaga foi para outro candidato. Casou-se em 1869 e, a partir de 1871, passou a morar e a advogar em Escada, perto do Recife, onde viveu cerca de dez anos. Foi eleito para a Assembleia Provincial e se destacou como voz liberal contra a escravidão. Também escreveu poesia, como o poema A Escravidão, de 1868.

Seu caminho de ideias mudou de rumo. Partindo do espiritualismo francês, passou, a partir de 1869, ao naturalismo de autores alemães como Haeckel e Noiré. Em 1870, começou a defender o germanismo: a abertura às ideias da Alemanha, contra o predomínio da cultura francesa no Brasil. Aprendeu alemão por conta própria, reuniu uma biblioteca com muitos livros em alemão, que depois da sua morte o governo de Pernambuco comprou e encaminhou à Faculdade de Direito do Recife, e fundou em Escada um periódico chamado Deutscher Kämpfer, que teve vida curta. Escreveu ainda Estudos Alemães, obra que ajudou a divulgar a cultura alemã e que alguns criticaram como mera paráfrase de autores de lá.

Em 1882, foi aprovado em primeiro lugar no concurso para professor substituto da Faculdade de Direito do Recife e recebeu a nomeação de D. Pedro II, a quem antes havia feito críticas pessoais. Integrou a chamada Escola do Recife, movimento filosófico ligado ao monismo e ao evolucionismo europeus, em graus variados entre seus integrantes. Nos anos finais, teve dificuldades financeiras e morreu na casa de um amigo.

Os estudiosos discordam sobre o lugar dele. Alguns, como Miguel Reale e Antônio Paim, o veem como precursor do culturalismo no Brasil. Outros leem sua obra como pouco sistemática, feita de polêmicas, em que teorias diferentes eram usadas conforme a disputa do momento.

Foi escolhido patrono da cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras, e a Lei 13.927, de 10 de dezembro de 2019, inscreveu seu nome no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Quem quiser entender como ideias alemãs e evolucionistas foram recebidas e discutidas no Brasil do século XIX encontra nele um caso que os estudiosos ainda discutem.

Para conferir

  • Wikipédia em português, verbete Tobias Barreto (cita Clóvis Beviláqua, Antônio Paim e outros): Nascimento em 07/06/1839 em Campos do Rio Real (SE) e morte em 26/06/1889 em Recife; mestiço; Faculdade de Direito do Recife; concurso de 1867 no Ginásio Pernambucano; casamento em 1869 e vida em Escada a partir de 1871; virada para Haeckel e Noiré em 1869 e germanismo em 1870; Estudos Alemães (1879); concurso de 1882 e nomeação por D. Pedro II; patrono da cadeira 38 da ABL; Lei 13.927/2019 (Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria); debate sobre culturalismo.