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Hannah Arendt (1906-1975)

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Hannah Arendt nasceu em 14 de outubro de 1906, em Linden, perto de Hanôver, na Alemanha, numa família judaico-alemã. Morreu em Nova York em 4 de dezembro de 1975, aos 69 anos.

Estudou filosofia com Martin Heidegger em Marburgo a partir de 1924, passou por Freiburg, onde assistiu a aulas de Edmund Husserl, e se doutorou em Heidelberg em 1929, orientada por Karl Jaspers, com uma tese sobre o conceito de amor em Agostinho.

Com a ascensão de Hitler, teve de fugir da Alemanha em 1933. Depois de uma breve passagem por Praga e Genebra, viveu em Paris, onde de 1933 a 1939 trabalhou em organizações de apoio a refugiados judeus, e continuou na França até 1941. Em 1940, foi internada no campo de Gurs, no sul da França, e conseguiu sair. Em 1941, emigrou para os Estados Unidos. Ficou sem nacionalidade a partir de 1937 e só se tornou cidadã americana em 1951.

No mesmo ano de 1951, publicou Origens do Totalitarismo, estudo sobre os regimes nazista e stalinista. Para ela, o terror dos campos buscava tornar os seres humanos supérfluos, apagando o que cada pessoa tem de único e de espontâneo.

Em A Condição Humana, de 1958, distingue três atividades da vida ativa: labor, trabalho e ação (conforme a tradução, também chamadas trabalho, obra e ação). A ação, ligada à liberdade e à pluralidade entre as pessoas, é a capacidade de começar algo novo. Arendt a enraíza na natalidade: cada nascimento traz um novo começo ao mundo.

Em 1961, acompanhou como repórter da revista The New Yorker o julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém e, em 1963, publicou Eichmann em Jerusalém, com o subtítulo Um relato sobre a banalidade do mal. Ela apontou, como marca dele, a falta de reflexão, a incapacidade de ver as coisas do ponto de vista do outro, ao lado da devoção a Hitler, e não um ódio fanático aos judeus. O livro provocou forte controvérsia, sobretudo em círculos judaicos. A partir de 1967, foi professora na New School for Social Research, em Nova York, onde era professora de filosofia política quando morreu.

Os temas dela aparecem hoje em discussões sobre como regimes autoritários se formam, sobre o espaço público e sobre a responsabilidade de quem obedece. A expressão banalidade do mal, na leitura dela, não diminui o crime: descreve a ausência de reflexão por trás dele. Quem for citá-la deve começar pelo livro de 1963.

Para conferir

  • Stanford Encyclopedia of Philosophy: Nascimento em 1906 em Hanôver (Linden, 14/10/1906, segundo a Wikipédia (en)) e morte em Nova York em 04/12/1975; estudos com Heidegger (1924), Husserl e Jaspers (tese de 1929 sobre o amor em Agostinho); fuga em 1933, Paris 1933-39, Gurs em 1940, EUA em 1941; apátrida de 1937 a 1950 e cidadã dos EUA a partir de 1951 (Wikipédia en); Origens do Totalitarismo (1951), A Condição Humana (1958), Eichmann em Jerusalém (1963); New School desde 1967; natalidade e pluralidade.