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Soneto a Helena

Pierre de Ronsard, tradução de Guilherme de Almeida

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14 versos

Quando fôres bem velha, à noite, à luz da véla,
Junto ao fogo do lar, dobando o fio e fiando,
Dirás, ao recitar meos versos e pasmando:
Ronsard me celebrou no tempo em q fui bella.

E entre as servas então não ha de haver aquella
Q, já sob o labor do dia dormitando,
Ao nome de Ronsard não vá logo acordando
E abençoando o esplendor q o teu nome revela.

Sob a terra eu irei, phantasma silencioso,
Entre as sombras sem fim procurando repouso:
E em tua casa irás, velhinha combalida,

Chorando o meo amor e o teu cruel desdém.
Vive sem esperar pelo dia q vem;
Colhe hoje, desde já, colhe as rosas da vida.

Autor: Pierre de Ronsard
Tradução: Guilherme de Almeida

O Beijo, Gustav Klimt
O Beijo, Gustav KlimtArte escolhida pelo tema amor. Domínio público. Ver no Wikimedia Commons