Rafael no livro de Tobias
Uma viagem para buscar dinheiro guardado longe de casa aproxima Tobias de um companheiro cuja identidade permanece escondida. Seu pai, idoso e cego, vive em Nínive e pede ao filho que encontre alguém para acompanhá-lo.
O livro de Tobias, também chamado Tobit, integra a Bíblia da Igreja Católica e das Igrejas Ortodoxas. Na classificação católica, pertence aos livros chamados deuterocanônicos. A maioria das igrejas protestantes não o inclui em sua Bíblia e costuma classificá-lo como apócrifo. As referências deste verbete seguem a numeração da Bíblia Douay-Rheims e da Vulgata Clementina; a Bíblia Ave-Maria e a NABRE numeram este livro de forma diferente em vários trechos. Na edição seguida aqui, pai e filho recebem o nome Tobias; em outras, o pai é chamado Tobit.
No livro de Tobias, capítulo 5, versículo 5, o relato apresenta um belo jovem que parece pronto para caminhar. Ao ser perguntado sobre sua família, ele assume a identidade de Azarias, filho do grande Ananias, conforme o livro de Tobias, capítulo 5, versículos 17 e 18. Nessa passagem, sua aparência comum permite que seja recebido como companheiro de viagem. Sua verdadeira identidade será revelada mais adiante.
Durante a jornada, o anjo disfarçado ajuda Tobias com um peixe cujas partes internas terão importância para a família. Na narrativa, elas servem para livrar Sara, futura esposa do jovem, do espírito que havia matado seus maridos anteriores, e para curar a cegueira do pai. Esses acontecimentos pertencem ao relato religioso e não constituem orientações de tratamento.
No livro de Tobias, capítulo 12, versículo 15, Rafael revela ser um dos sete anjos que ficam diante de Deus. No livro de Tobias, capítulo 12, versículos 12 a 14, conta que apresentou a Deus a oração do pai, que orava e enterrava os mortos em segredo. Também explica que veio para curar sua vista e livrar Sara, esposa do filho, do espírito maligno. No livro de Tobias, capítulo 12, versículos 20 e 21, dirige suas últimas orientações ao pai e ao filho, pede que continuem bendizendo a Deus e então deixa de ser visto por eles.
A revelação tardia dá outro sentido à viagem: aquele companheiro servia a Deus desde o início. Essa história bíblica inspira, segundo a tradição católica, a devoção a Rafael ligada aos viajantes e à cura. Essas associações devocionais se apoiam no relato; o ensinamento doutrinal reconhece os anjos como criaturas espirituais a serviço de Deus. Para quem crê, invocar Rafael expressa confiança, sem assegurar cura ou caminhos livres de perigos.
Para conferir
- Bíblia Douay-Rheims / Vulgata Clementina (domínio público, ed. 1899): Tobias 5,5.17-18; 12,12-14.20-21 (numeração da Vulgata/Douay-Rheims; explica a ausência do livro em Bíblias protestantes e a diferença de nomes do pai conforme a edição).



