Quantas vezes, Amor, me tens ferido?
- Tamanho
- 14 versos
Quantas vezes, Amor, me tens ferido?
Quantas vezes, Razão, me tens curado?
Quão fácil de um estado a outro estado
O mortal sem querer é conduzido!
Tal, que em grau venerando, alto e luzido,
Como que até regia a mão do fado,
Onde o Sol, bem de todos, lhe é vedado,
Depois com ferros vis se vê cingido:
Para que o nosso orgulho as asas corte,
Que variedade inclui esta medida,
Este intervalo da existência à morte!
Travam-se gosto, e dor; sossego e lida;
É lei da natureza, é lei da sorte,
Que seja o mal e o bem matiz da vida.

Continue em Mestres da poesia
- ContrastesAugusto dos Anjos · 14 versos
- Eu ...Florbela Espanca · 14 versos
- Para SempreCarlos Drummond de Andrade · 27 versos
Outras leituras com esta assinatura no acervo
- A Camões, comparando com os dele os seus próprios infortúnios
- A lamentável catástrofe de D. Inês de Castro
- Desejo Amante
- Em louvor do grande Camões
- Invocação à Noite
- Já Bocage não sou!... À cova escura
- Já o Inverno, espremendo as cãs nevosas
- O Ciúme
- O poeta asseteado por amor
- O Suspiro
- Proposição das rimas do poeta
- Retrato próprio







