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Frases de saudade de quem mora longe, da carta com selo ao pontinho verde no aplicativo

novo
Tamanho
440 palavras

A carta dobrada no bolso, o crédito de orelhão que acabava no meio da risada e, hoje, o pontinho verde que acende de madrugada e sossega o peito. Estas vinte frases são ditas a um filho, uma amiga, um namorado ou uma avó que mora longe demais para um abraço rápido.

O envelope da sua carta ficou guardado na gaveta da cômoda até a tinta do carimbo desbotou de vez.

Os créditos do cartão de orelhão acabaram no meio da sua risada e fiquei segurando o aparelho sem conseguir desligar.

Rebobinei a fita VHS do seu aniversário no aparelho da sala só para pausar no momento em que você esticava os braços.

O bip vibrou no cinto com o seu recado curto e eu li aquelas poucas palavras três vezes seguidas.

Aquele aviso sonoro do ICQ quebrou o silêncio do quarto frio e eu parei tudo para abrir a janela da conversa.

Peguei o envelope com as fotos reveladas na farmácia e sua imagem no jardim me deu um nó no peito.

Esperei o sábado para conectar a internet e ler a mensagem que você me mandou da Espanha.

Paguei uma hora de computador na lan house do bairro só para ver a foto que você enviou naquele dia.

Abri seu Fotolog antes de dormir e vi seu rosto sério no retrato tirado naquela praça distante.

Desliguei o celular de flip devagar depois de ouvir você contar sobre as dificuldades da república nova.

Digitei letra por letra no teclado do celular para montar o torpedo que tentei mandar para o seu país.

Reli aquele depoimento que você deixou no meu Orkut e fiquei pensando nos passos que nos afastaram tanto.

A ligação pelo Skype travou na hora em que você me mostrava a janela do seu apartamento do outro lado do mundo.

Coloquei seu áudio de cinco minutos para tocar na cozinha enquanto tomava café pensando no que você me contava.

As duas marcas azuis apareceram na tela do aplicativo e eu fiquei olhando para elas até o telefone apagar a tela sozinho.

Encostei o dedo na tela durante a chamada de vídeo e senti o vidro frio no lugar do seu rosto.

Fiquei acompanhando seu ponto azul caminhar pelo mapa daquele país frio enquanto a noite caía pela minha janela.

Salvei as palavras que você escreveu antes que sumissem da conversa para reler tudo quando a casa ficasse vazia.

Aquela figurinha do seu cachorro que você mandou na conversa me arrancou uma gargalhada no meio de uma tarde pesada.

O pontinho verde acendeu ao lado da sua foto de madrugada e eu larguei o travesseiro para pegar o celular.