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Frases de Natal, do cartão pelo correio ao vídeo da ceia no grupo da família

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Quem fala guarda o cartão com purpurina, espera o modem discar e, hoje, manda o vídeo da ceia no grupo da família. Estas vinte frases são ditas a parentes, amigos, vizinhos e colegas, inclusive a quem passa o Natal longe ou trabalhando.

O cartão de Natal chegou pelo correio com purpurina no envelope, e minha mãe sorriu ao ler a letra da tia.

Na fila do orelhão, gastei o último crédito do cartão telefônico para ouvir minha mãe e ainda cantarolava quando dobrei a esquina.

Gravei as crianças diante do presépio em fita VHS e, depois da ceia, rebobinei a fita no videocassete para rever todo mundo rindo.

No plantão de Natal, o bipe vibrou com o recado de um amigo, e entrei no próximo quarto andando mais firme.

Esperei o modem discar na madrugada de Natal, abri o e-mail do meu irmão e li três vezes antes de apagar a luz.

Na sala de bate-papo, na noite de Natal, achei quem também estava sozinho, e a conversa me fez companhia até a manhã.

Revelei o filme da máquina só em janeiro, e a foto da vó cortando o panetone ficou pregada na geladeira por meses.

Meu primo copiou duas fotos da ceia num disquete e guardei na gaveta ao lado das cartas antigas.

Esperamos a animação de Natal carregar na conexão lenta e, quando a música tocou, a família toda cantou junto diante do monitor.

Em plena ceia, o apito do comunicador avisou que meu amigo de outra cidade entrou online, e larguei o prato para mandar recado.

Postei no fotolog a foto da mesa da ceia e fiquei vendo, ansioso, quem comentava até a madrugada.

Fui teclando letra por letra no celular para escrever a mensagem de Natal e só guardei o aparelho depois de ver a confirmação.

A webcam mostrou a ceia dos meus pais, do outro lado do oceano, e fiquei olhando com um nó na garganta.

Marquei meus irmãos na foto da árvore na rede social e cada comentário deles me fez abrir o álbum de fotos antigas.

Esticamos o bastão de selfie para caber vizinhos e parentes na mesma foto de Natal, e rimos de tão apertados.

Filmei o pisca-pisca da árvore para o story e minha prima de outro estado respondeu com mensagem antes do vídeo acabar.

As figurinhas de Natal lotaram a conversa dos colegas de trabalho, e dei risada de cada uma antes do café.

Gravei um áudio da risada dos sobrinhos para minha tia que não pôde vir, e ela mandou outro áudio chorando do outro lado.

Em 2020 apoiei o celular na jarra de água para a chamada de vídeo, e minha avó ceou conosco pela tela, sem abraço.

O celular vibrou com o vídeo da ceia no grupo da família, e pausei três vezes para ver cada rosto na tela.