De casa até a feira, a pé
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Saio pelo portão verde e viro à esquerda. A calçada da Rua Tiradentes é estreita, e a primeira casa tem uma jabuticabeira que solta fruta no chão em novembro.
Na esquina do mercadinho do seu Nélson sinto cheiro de pão. Ele deixa a porta aberta e as broas na vitrine, e quem passa quase sempre desacelera.
Desço a ladeira de paralelepípedo devagar, porque molhada ela escorrega. No meio da descida fica uma oficina de bicicletas, com as rodas penduradas na parede como relógios sem ponteiro.
Na Travessa das Flores, uma senhora rega vasos de manjericão na janela. Numa dessas vezes a água caiu na calçada bem na hora em que eu passava, e a gente riu, sem dizer nada.
Atravesso a pracinha. Os pombos ficam em volta do banco, e um garoto de uniforme corre atrás deles com a mochila batendo nas costas.
O barulho da feira começa dois quarteirões antes: caixote sendo arrastado, balança, alguém gritando o preço da mexerica.
Chego e ainda falta comprar tudo. Paro na primeira banca e peço três mexericas.







