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A costura desfeita

Quando virou a calça pelo direito, ela viu o bolso preso na costura. Puxou uma vez, como se o tecido pudesse negar o erro. Depois largou a peça na mesa.

Tinha medido tudo. Tinha também corrido para acabar antes do almoço. Agora precisaria abrir uma fileira inteira de pontos.

Foi buscar a tesourinha na gaveta. Sentou perto da janela e começou pelo canto. A cada fio cortado, aparecia um furinho no tecido. Alguns sumiam quando ela passava a unha. Outros ficavam.

Na primeira tentativa de soltar o bolso, puxou com força demais. Ouviu um estalo e parou. Encostou as costas na cadeira. Do apartamento ao lado vinha o ruído de pratos.

Voltou à peça mais devagar. Separou o bolso, alinhou as bordas e prendeu tudo com alfinetes. Antes de costurar, virou a calça dos dois lados.

O almoço teria de esperar um pouco. Ela ainda estava aborrecida com o próprio descuido. Mesmo assim, deixou o bolso livre e fez os primeiros pontos. Dessa vez, parou cedo para conferir. Enfiou a mão no bolso e encontrou o fundo.