Círculo Vicioso
Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
“Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
“Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela”
Mas a lua, fitando o sol com azedume:
“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume”!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
“Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vaga-lume?”...
Para conferir
- Ocidentais, de Machado de Assis, 1901: o texto do poema, transcrito pelo Wikisource sem fac-símile anexado a esta página.
Continue em Mestres da poesia
- A Grande SecaCruz e Sousa · 14 versos
- O poeta asseteado por amorBocage · 14 versos
- RevoltaVinícius de Moraes · 14 versos
Outras leituras com esta assinatura no acervo
- A Carolina
- Frases de Dom Casmurro, de Machado de AssisColetânea de frases
- Frases de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de AssisColetânea de frases
- Frases de O Alienista, de Machado de AssisColetânea de frases



