As Pombas
Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...
Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...
Para conferir
- Raimundo Correia: o texto do soneto As Pombas, transcrito pelo Wikisource sem edição de origem declarada pela própria fonte.
Continue em Mestres da poesia
- Assim seja!Cruz e Sousa · 14 versos
- Cavador do InfinitoCruz e Sousa · 14 versos
- Deixa-me ouvir o que não ouço18 versos



