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Arte não se acaba

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35 versos

Formigas andam umas após outras, 
seguindo o compasso do outono, 
com folhas secas e velhas rotas no vento. 

Mas ha formigas que não possuem dentes nas engrenagem, 
e são essas que mostram o mundo a elas, 
como ele é! 

Desde que estou te amando 
o mundo se reduziu a metade 
quando zero. 

Sê-des se vou voando, 
e te espero! 

O mundo precisa de formigas preguiçosas, 
que se deixam morrer 
para que as outras possam ver, 
pois não ficam ociosas. 

Ócio bonito pois arte não se caba, 
pois não se acaba, 
e não cabe... 

Naquele vidro de geléia tão bonito 
que ninguém sabe. 

Formigas andam umas após outras 
duma sós outras, 
atônitas, 
andam no rastro das outras 
no lastro.... tontas! 

Em qualquer moldura 
que eu perceba 
um filtro 
um véu. 
Em qualquer moldura 
que se possa valer, 
e que possa se fazer ver, 
o que não se vê, 
para que um dia possam fazê-lo... 

Um dia!

Moça com Livro, Almeida Júnior
Moça com Livro, Almeida JúniorArte escolhida pelo tema poesia. Domínio público. Ver no Wikimedia Commons