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A pasta dos papéis

Na papelaria da tia, Beto separava sobras de papel para vender por peso. Os pedaços grandes iam para uma caixa. As tiras estreitas, para outra. Ele precisava liberar a mesa onde, às duas, seriam montados os cadernos de encomenda.

Uma cliente pediu papel roxo. Beto lembrava de ter visto algumas folhas, mas elas estavam debaixo de todo o resto. Ao puxar uma ponta, derrubou a caixa das tiras. Parte caiu atrás do balcão, junto de um lápis sem ponta e dois recibos antigos.

A cliente se agachou do outro lado e recolheu as que tinham alcançado seus sapatos. Encontrou uma tira roxa. Era exatamente aquela cor, mas ela precisava de pedaços maiores para recortar letras.

Beto localizou as folhas e pesou o pacote. Depois que ela saiu, deixou uma amostra de cada cor numa pasta velha de cartões. Na capa, escreveu os preços por peso. Ainda havia tiras no chão quando a tia chegou com os miolos dos cadernos.

Ele terminou de recolhê-las e levou as caixas para baixo do balcão. A tia pousou o primeiro miolo na mesa. A pasta ficou ao lado da balança, com uma ponta roxa aparecendo.