A balsa das sete e meia
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A balsa das sete e meia sai quando enche, e naquele sábado encheu depressa. Seu Genildo estacionou a caminhonete no meio, puxou o freio de mão e desceu para se encostar na grade do convés.
A travessia dura vinte minutos. Ele já tinha feito aquilo centenas de vezes, mas só prestava atenção na margem de lá, onde ficava o trabalho. Dessa vez, sem pressa, olhou a margem de cá se afastando. O galpão da cooperativa foi ficando do tamanho de uma caixa de fósforos. Uma moto de entrega buzinou na rampa, e ninguém se importou.
Ao lado dele, uma menina de uns oito anos contava as boias laranja que passavam. Chegou a dezessete, errou, voltou para o um. A mãe, de sandália, segurava uma sacola de pães e dizia é a cada número, olhando para o celular.
O rio estava marrom e liso, com um tronco comprido boiando devagar no sentido contrário. Um barqueiro de camiseta amarela levantou o braço, e o comandante da balsa levantou o dele sem olhar.
Seu Genildo voltou à caminhonete. Enquanto esperava a moto da frente sair, ouviu a menina perguntar se iam voltar pela mesma balsa.







