LXXVII
Prazer das dóres velhas
Dom Casmurro, de Machado de Assis
Prazer das dôres velhas.
Contando aquela crise do meu amor adolescente, sinto uma coisa que não sei se explico bem, e é que as dôres daquela quadra, a tal ponto se espiritualisaram com o tempo, que chegam a diluir-se no prazer. Não é claro isto, mas nem tudo é claro na vida ou nos livros. A verdade é que sinto um gosto particular em referir tal aborrecimento, quando é certo que ele me lembra outros que não quizera lembrar por nada.