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O interior da igreja de São Bavão, em Haarlem, Pieter Jansz. Saenredam
O interior da igreja de São Bavão, em Haarlem, Pieter Jansz. SaenredamDomínio público. Ver no Wikimedia Commons

O medo do desconhecido e a necessidade de dar sentido ao mundo que o cerca levaram o homem a fundar diversos sistemas de crenças, cerimônias e cultos, muitas vezes centrados na figura de um ente supremo.

Deus, o ser supremo, princípio gerador do mundo nas religiões. Para o monoteísmo, um único Deus é o criador e origem de todas as coisas existentes, sendo descrito com atributos de perfeição: infinitude, imutabilidade, eternidade, bondade, conhecimento e poder. Deus pode ser transcendente - isto é, estar acima do mundo - ou imanente, presente em todo o universo. Nas grandes religiões monoteístas, Deus é venerado como uno, como a suprema unidade criadora de todas as coisas. O politeísmo ou crença em vários divindades, atribui a cada uma delas influência nas diferentes ordens do universo.

Para o judaísmo, o ser humano foi feito à "imagem e semelhança" de Deus (Jeová). 

O cristianismo assumiu o deus hebraico e, com o tempo, as escrituras judaicas se tornaram no Antigo Testamento para os cristãos. No Novo testamento, Jesus foi enaltecido como pastor divino, criando-se, assim, tensão com a tradição monoteísta do judaísmo. A solução para o problema foi o surgimento da doutrina - existente em outras crenças anteriores - de Deus trino, a Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo)

Para o Islã, Deus é Alá, pessoal, transcendente e único. Sua representação é proibida em qualquer forma de ser vivo. A principal crença islâmica é a proclamação "Não há outro Deus senão Alá, e Maomé é seu único profeta". 

No hinduísmo, o Ser sagrado é Brahma, realidade única, eterna e absoluta. São reconhecidos muitos deuses, mas todos são manifestações de Brahma. Os três deuses principais, unem-se em Trimurti, ou os três poderes, antecedente da Trindade cristã. 

No budismo mahayana da China e do Japão, o próprio Buda foi transformado em ser divino. 

Religiões mediúnicas, aquelas cujos rituais são realizados com seus sacerdotes em transe. Entre elas, o candomblé, a umbanda e as várias seitas do espiritismo. Na umbanda e candomblé, um iniciado - ou filho de santo - recebe um espírito, entrando em estado de semi-consciência. Quando o ritual é de candomblé, o orixá (divindade africana, especialmente jejê-nagô, das religiões afro-brasileiras) expressa-se através de gestos, dança, cantando ou falando. Nas seitas espíritas, as entidades aconselham, benzem e realizam processos de cura de males físicos e espirituais. Além do aspecto místico, muitas destas religiões exercem práticas mágicas e adivinhatórias, entre elas, o jogo de búzios. 

Os africanos (principalmente do candomblé) cultuam os Orixás, que simbolizam as forças da natureza.. Invocados, encarnam nos médiuns, ou filhos-de-santo. Intermediários entre os devotos e o deus superior Olorum. Os principais orixás são Oxalá, Xangô (raio, trovão), Ogum (guerra, luta), Oxóssi (caça, matos), Iemanjá (águas salgadas, peixes), Oxum (águas doces), Omulu ou Obaluaê (doenças, pestes), Oxumaré (arco-iris), Iansã (ventos, tempestades), Nanã Buruquê (chuva), Ibeji (fecundidade) e Obá. Oxalá é macho e femea, Iemanjá, Obá, Iansã, Oxumaré, Oxum e Nanã são femininos. Os demais são masculinos. Na umbanda são representados por santos católicos. 

No Haiti acredita-se no Vodu, que combina elementos do cristianismo primitivo, do catolicismo e de religiões tribais da África ocidental. Os cultos vodus adoram um deus principal e também os ancestrais, os gêmeos e os espíritos chamados loas (deuses tribais africanos que se identificam com os santos do catolicismo). No Brasil, o Maranhão é o único estado onde se pratica o vodu (ver Ritos afro-brasileiros).