O ponto depois da ponte
Quando o ônibus passou pela ponte, ela percebeu que tinha errado outra vez. Puxou a campainha e desceu com a sacola vazia. A feira ficara três pontos atrás.
Na cidade antiga, conhecia os caminhos sem olhar as placas. Ali, precisava perguntar até de que lado da avenida o ônibus voltava. Sentiu falta de poder pensar em outra coisa enquanto andava.
Um homem que varria a calçada indicou a travessia. Ela agradeceu, mas ficou parada por um instante, conferindo o papel dobrado no bolso. Tinha vergonha de uma dificuldade tão pequena ocupar a manhã inteira.
Na volta, comprou duas bananas e perguntou o horário da feira. A vendedora respondeu enquanto pesava tomates para outra cliente. Ninguém pareceu estranhar a pergunta.
Em casa, anotou o ponto certo no papel. Ainda havia caixas fechadas na sala e nenhuma visita marcada. Colocou as bananas sobre a mesa e guardou a anotação na sacola que levaria na semana seguinte.



