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O nome de Rafael, o livro de Tobias e a devoção

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O nome Rafael vem de uma raiz hebraica (r-p-ʾ) ligada ao verbo que se traduz por sarar, e costuma ser vertido como "Deus curou". No livro de Tobias, onde o anjo aparece disfarçado de homem, ele usa outro nome, Azarias, que significa "Javé ajudou".

O livro é do século III ou do início do século II antes de Cristo. Entre os Manuscritos do Mar Morto, em Qumran, foram achados cinco fragmentos dele: quatro em aramaico e um em hebraico. Hoje, a pesquisa considera que o texto foi escrito originalmente numa língua semítica.

O estatuto do livro muda conforme a tradição. Para católicos e ortodoxos, é deuterocanônico. Não está no texto massorético hebraico, e os protestantes o classificam como apócrifo. Ele figura em listas canônicas antigas, como as atribuídas aos concílios de Hipona (393) e Cartago (397 e 419), e foi reafirmado em Florença (1442) e Trento (1546).

Rafael aparece também fora de Tobias. No capítulo 20 do Livro de 1 Enoque, ele é um dos sete santos anjos que vigiam, o que está sobre os espíritos dos homens, na tradução de Charles.

Na tradição católica, Rafael é invocado como padroeiro dos viajantes, dos cegos, dos enfermeiros, dos médicos e dos casamentos cristãos. Esses patronatos se ligam ao que o livro de Tobias lhe atribui: companheiro de viagem de Tobias e quem devolve a visão ao pai dele.

O livro rendeu também muita arte. O tema "Tobias e o anjo", com o peixe que a arte e a teologia tomaram como símbolo de Cristo, foi muito popular. Rembrandt, de ambiente protestante holandês, fez uma série de pinturas e desenhos sobre episódios do livro.

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