Nada
- Tamanho
- 20 versos
Escrevo por compulsão.
Não escrevo para mim, tampouco para ti, escrevo.
São palavras jogadas ao léu, sem nenhum enlevo,
Qual se uma força estranha
Teimasse em brincar com a pena, em minhas mãos
Para decantar o nada.
Nem tristeza, nem sofrimento,
Tampouco alegria ou contentamento.
Nem desespero, nem esperança,
Tampouco luz a me servir de guiança.
Nada.
Eterna morada de um anjo infeliz, por ti mandado,
Que cá chegando criou raíz, mas foi incapaz de me fazer feliz.
Antes suporto dele o assédio,
Enquanto minha alma agoniza aos poucos
De nada e de tédio.
Fátima Irene Pinto
Do livro Momentos Catárticos
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