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Frases de mudança de cidade, da caixa de papelão no caminhão à localização compartilhada no primeiro dia

novo
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450 palavras

Mudar de cidade já foi desligar o telefone de disco da parede, escrever livros numa caixa e ligar do orelhão da rodoviária. Estas vinte frases são ditas por quem chegou a um lugar novo, sem amigos ainda, e foi aos poucos achando o caminho.

A caixa marcada livros entrou primeiro no caminhão; só então tirei do bolso a chave que já precisava devolver.

Desliguei o telefone de disco e guardei o papel com nosso número; na outra cidade, até o DDD seria novo.

O bipe mostrou o número de casa entre duas caixas; no orelhão da esquina, ouvi minha mãe querendo saber se o caminhão já tinha chegado.

Pela janela do ônibus, vi a placa da cidade ficar para trás; no bolso, levava um endereço que ainda precisava consultar.

Na cidade nova, pus a fita VHS da despedida para tocar e respondi à televisão quando gritaram meu nome.

No orelhão da rodoviária, o cartão acabou no meio do "cheguei bem", e o resto ficou para depois.

Na primeira noite, o modem chiou enquanto eu procurava o horário dos ônibus da cidade nova.

Mudei a cidade no perfil do ICQ; quando você quis saber se era longe, fui conferir quantas horas de ônibus.

Na lan house do bairro novo, imprimi o trajeto até o trabalho; no dia seguinte, levei a folha dobrada na mão.

Meu fotolog ganhou a primeira foto daqui; na legenda escrevi "minha cidade" e estranhei antes de publicar.

Entrei na comunidade da cidade nova no Orkut e achei uma discussão de vinte páginas sobre uma rua que eu ainda não sabia pronunciar.

No torpedo para minha mãe, coube "cheguei, tudo certo"; apaguei "não conheço ninguém aqui" antes de enviar.

Fotografei a ficha para pedir ajuda: no campo "bairro", eu tinha escrito o nome da cidade de onde vim.

Foi pelo Facebook que descobri que três pessoas do meu antigo bairro também tinham ido morar aqui.

O WhatsApp apitou com um "como está a cidade nova?", e respondi com o áudio de uma expressão que ouvi três vezes e ainda não entendi.

O aplicativo ainda sugeria a padaria da cidade antiga; procurei uma aqui que vendesse o pão pelo nome que eu conhecia.

Meu story do primeiro domingo mostrou a feira da rua de baixo; saí para comprar café e voltei com uma cadeira.

Na chamada de vídeo, mostrei o caminho do trabalho; meus amigos viram o mar ao fundo e pediram para eu parar um pouco.

Abri no celular a foto da venda da rua antiga; foi só vendo a placa que percebi de onde vinha meu jeito de chamar o mercadinho daqui.

Hoje mandei a localização e acrescentei: "desce no próximo ponto, o do mapa fica longe".