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Frases de frio, do telefone gelado na orelha ao aviso de frente fria no celular

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457 palavras

Do rádio de pilha que anunciava a geada ao celular que hoje avisa a frente fria, o frio sempre pediu companhia. Estas vinte frases são ditas a quem está longe ou dividindo o cobertor.

O rádio de pilha avisou geada de madrugada, e eu dobrei meu casaco em cima da cama para você vestir quando chegasse.

Com o fone do telefone fixo gelado na orelha, ouvi sua voz enquanto a garoa batia na vidraça da sala.

Enfrentei o vento da esquina com o cartão do orelhão quase no fim só para ouvir seu riso antes de dormir.

Rebobinei a fita no videocassete enquanto dividíamos o edredom, e o barulho da chuva no telhado cobriu a falta de assunto.

Guardei nossos poemas no disquete que você me entregou na porta, com as bochechas vermelhas de frio.

Esperei passar da meia-noite, quando a internet discada ficava mais barata, com os pés em meias de lã, só para ver você online.

Tirei o aquecedor da tomada do modem para a linha não cair, e fiquei de casaco até a conexão chegar e você aparecer.

O uh-oh do ICQ quebrou o silêncio da madrugada gelada, e levantei de cobertor nas costas para responder antes que você saísse.

Gravei o CD com nossas músicas soprando as mãos para aquecê-las, e digitei o nome de cada faixa na tela do computador.

A janelinha do MSN piscou na tela enquanto o chá de camomila esfriava ao lado do teclado, esquecido por causa de você.

Meus dedos duros erraram as teclas do celular, e o torpedo saiu sem duas letras, mas você respondeu rindo e guardei a mensagem.

Ajeitei a webcam em cima do monitor para você ver meu casaco de lã e rir do quanto eu estava embrulhado.

Deixei um recado longo no seu Orkut, enrolado na colcha grossa, para você ler assim que acordasse.

Parei no portão com o celular de flip aberto dentro do casaco, esperando sua resposta, e só entrei em casa depois que ela veio.

O notebook esquentava minhas pernas sobre a manta de retalhos enquanto líamos juntos a notícia da frente fria.

Atendi sua ligação com o nariz, porque a tela do celular não reconhecia meus dedos de luva.

O grupo de WhatsApp da família amanheceu cheio de fotos de geada no pasto, e comentei cada foto ainda debaixo do cobertor.

Apoiei o celular no travesseiro para ouvir seu áudio de cinco minutos no WhatsApp, e só levantei quando acabou, com os pés na manta.

Mandei uma figurinha de gato de cachecol, e você respondeu que já estava a caminho com pão de queijo quente.

O relógio de pulso vibrou com a previsão de frio, e mandei do celular uma foto da sua blusa esquecida aqui, que eu vestia.