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Frases de avô, do rádio de pilha à chamada de vídeo

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Avô é quem tira bala do bolso da camisa, acerta a antena da sala e, hoje, manda áudio de quatro minutos com um conselho no fim. Estas vinte frases são para os avôs de sangue e de coração, e para quem tem saudade de um.

O chiado do rádio de pilha colado no ouvido do meu avô era o som de paz da casa inteira.

Meu avô descascava a laranja com o canivete e sempre me dava o melhor pedaço.

A bala de hortelã amassada que saía do bolso da camisa era o jeito de ele dizer que me amava.

Meu avô ficava na cadeira de palha da varanda, e eu, sentado ao lado dele, perdia o medo da tempestade.

Toda noite ele dava corda no relógio de pulso, e aquele clique deixava o quarto em paz.

Ele olhava a tela do computador por cima dos óculos, desconfiado daquela máquina, e não saía de perto.

A mão grossa do meu avô segurando a minha na rua de pedra me emprestava toda a coragem que faltava.

O controle remoto remendado com fita mostrava o que ele sabia de cor: o que é bem cuidado dura.

Pedir ao neto para ver o resultado do jogo na internet deixava os olhos dele cheios de orgulho.

Meu avô abria a carteira gasta de couro e mostrava nossos retratos pequenos a quem perguntasse pela família.

Imprimir a notícia da internet para ele ler com a lupa virou o nosso programa depois do almoço.

Ver meu avô mexendo na antena da sala até a imagem firmar era uma vitória comemorada por todos.

As ligações sem querer do bolso dele, no meio da feira, sempre me arrancavam uma risada.

As mensagens curtas que ele digitava letra por letra nas teclas do celular valiam um abraço de longe.

O telefone dele tocando alto no meio da missa deixava a família inteira vermelha de vergonha e de riso.

Na chamada de vídeo, meu avô aproxima do celular tudo o que quer me mostrar, até o tomate que colheu.

O áudio de quatro minutos começa com um pigarro longo e termina com um conselho simples.

Meu avô respondendo a uma pergunta séria com uma figurinha de gatinho me faz rir o dia inteiro.

Meu avô aprendeu a deslizar o dedo na tela e agora me mostra as fotos antes que eu peça.

O aceno que ele dá para a tela do celular antes de desligar é a despedida mais bonita que eu conheço.