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Eu e Jandyra

Amadeu Colombo

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36 versos

Sonhei, sonhaste, sonhamos;
muitas noites conversamos
no banco do teu jardim
ali fizemos castelos
e até os sonhos mais belos 
tivemos meses sem fim.

Como era gostoso o tempo,
a passar sem contra tempo,
cheio de ameno sabor.
Toda a nossa mocidade
só teve felicidade
na estória de nosso amor.

Agente que transitava, 
por ali sorrindo olhava
nossos gestos naturais,
e seguindo em frente
exclamava simplesmente:
são pombos em seus pompais.

Ao ouvi-los nós sorríamos
e, satisfeitos fruíamos
da vida doce passar
assim sentados, juntinhos
sentindo nossos carinhos,
fazíamos castelos no ar.

Casamo-nos pouco depois
e fomos felizes os dois,
não temos que nos queixar.
Cumprimos nossa promessa 
o tempo passou depressa
bem perto de nosso olhar.

Hoje na grande descida
dos anos de nossa vida, 
felizes sempre, até o fim
lembramo-nos, com saudade 
do tempo da mocidade
no banco do teu jardim.

O Leitor, Édouard Manet
O Leitor, Édouard ManetArte escolhida pelo tema poesia. CC0, sem direitos reservados. Ver no Wikimedia Commons