Amostra de limão
A marmita está fria nas minhas mãos. Fiz o bolo de limão ontem, depois do turno na portaria. Cortei quatro fatias para oferecer à dona da barraca de sucos.
“E se ela pedir vinte para amanhã?”
Não sei. Tenho turno de novo. Devia ter feito essa conta antes de sair.
“Posso oferecer só dez.”
Dez talvez nem interessem. E ainda não somei o preço das embalagens. A mulher me viu parado junto ao isopor e perguntou se quero suco.
“Agora digo que vim vender?”
Digo que trouxe uma amostra. Minha garganta prende no resto. Ela afasta o pote de canudos e pede para ver.
Abro a tampa. Uma fatia tombou no caminho. Seguro a marmita enquanto ela busca um garfo.



