A primeira manhã sem o crachá
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Na segunda-feira, Henrique acordou às seis e meia, por hábito. O crachá estava dentro de uma caixa de papelão, junto com a caneca e o carregador que ele trouxera do escritório.
Passou a manhã inteira sem saber onde pôr as mãos. Lavou a louça duas vezes. Respondeu a uma mensagem do grupo da família só para ter o que fazer.
Ao meio-dia, sentou na cozinha e escreveu numa folha o que sabia fazer. Não o cargo, mas as tarefas: organizar planilha, explicar coisa difícil para quem está começando, conferir dados e localizar divergências. Eram onze linhas. Ele esperava cinco.
Não sabia ainda o que viria depois. A folha não respondia isso, e ele não fingiu que respondia.
Dobrou a folha e deixou ao lado do computador. Na terça, pretendia usá-la para atualizar o currículo.
Depois do almoço, saiu para comprar pão a pé, sem pressa.







