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Um libertador

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"Pelo que os entregaste nas mãos dos seus adversários, que os afligiram, mas no tempo da sua angustia, quando eles clamaram a ti, tu os ouviste do céu; e segundo a multidão das tuas misericórdias lhes deste libertadores que os libertaram das mãos de seus adversários." (Neemias 9.27).

A reincidência da opressão era muito comum nos dias de Israel. Entendemos que a rebeldia dessa nação tinha como consequência a angustia causada pelos muitos opressores. Todavia, o Deus que os tirou do Egito era um Deus perdoador e sempre pronto a livra-los, quando arrependidos o buscavam. Essa continua sendo a atitude divina em relação a humanidade ingrata, quando a Ele clama suplicando por socorro na hora da angustia.

Conta-nos uma lenda que ha muitos anos a Suíça foi dominada pela Áustria, que nomeou um homem cruel para governa-la. Alegrava-o a magoa e humilhação dos suíços escravizados e tudo fazia para lhes tornar a vida cada vez mais difícil. Um dia teve a ousadia de colocar sobre um poste na praça o chapéu do Duque D'Austria, exigindo que todos o reverenciassem. Isso já era demais! E o povo passou a contornar a praça...

Vivia no interior do pais um caçador hábil como arqueiro e também como velejador. Precisou ir a cidade e nada o demoveu dessa ideia. Como se não bastasse o perigo que sozinho já correria, decidiu levar o filho de apenas oito anos de idade. Foram e no dia imediato entraram na cidade e caminhavam distraídos pela praça deserta, quando de repente ele ouviu:

- Cidadão, considere-se preso! Não reverenciou o chapéu do Duque D'Austria.

- Saudar um chapéu? Que disparate! Sou livre e jamais me curvarei diante de um chapéu - respondeu o homem tomado de ira.

O governador e chamado. Sabendo-o hábil arqueiro, determinou que publicamente acertasse uma maca colocada na cabeça do próprio filho. Num instante a flecha silvando os ares atravessou a maca. Mesmo assim, pai e filho foram presos e colocados num barco que os levaria ao cárcere; porem, na travessia do lago, desencadeou-se violenta tempestade. O pavor era geral. Lembrando-se de que o prisioneiro era remador famoso, o governador, que ia pessoalmente acompanhando os "réus" mandou desprende-lo. Tomando então o comando do barco, dominou o, conduzindo-o com segurança em direção a uma praia afastada. Antes de atracar o barco, o caçador saltou com o filho e, afastando-se rapidamente sob a fúria dos ventos, deixou o governador e a sua guarda na embarcação, a mercê das ondas que lançavam muita agua para o interior do barco relativamente frágil.

Esse caçador versátil continuou na luta pela pátria oprimida, concitando o povo a expulsar os invasores. Saindo de seus esconderijos, os suíços derrotaram os intrusos, tornando-se livres para sempre. Os sinos da liberdade ecoavam pelos vales e montes, inundando de alegria o coração do povo humilhado. E esse homem, chamado Guilherme Tell, e hoje o símbolo da Suíça - a terra do direito, a terra da liberdade!

A Imaculada Conceição, Bartolomé Esteban Murillo
A Imaculada Conceição, Bartolomé Esteban MurilloArte escolhida pelo tema fé. Domínio público. Ver no Wikimedia Commons