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Um Grande Livramento
"Porque ele livra (...) também ao aflito e ao que não tem quem o ajude (...) e precioso aos seus olhos e o sangue deles." (Salmos 72.12-14)
Depois de um violento temporal que devastou a região, destelhando casas, derrubando arvores e levando ao chão vários casebres, certo vigia da estrada de ferro, preocupado com o que poderia ter acontecido as barreiras na passagem de nível, disse a esposa que iria sair para uma demorada ronda, ao longo do trecho de sua responsabilidade como vigia. Chovia torrencialmente e o vento era cortante. A boa esposa levantou-se e, preparando um café bem quentinho, o colocou numa pequena garrafa para que o marido levasse.
O relógio da estação marcava onze horas e, a meia-noite, estaria passando um trem de passageiros. Apressado seguia o guarda de barreiras, levando aos ombros a garrafa de café e na mão direita uma forte lanterna. Andava a passos largos e procurava examinar com atenção e cuidado a situação da estrada, ate que deparou com a mais extensa das barreiras daquela via. Notou de imediato que havia acontecido um grande deslizamento de terra, que deixou os trilhos suspensos por vários metros seguidos. Pelo tempo que já havia gasto na ronda, o guarda concluiu que estava chegando o horário do trem de passageiros. Precisaria fazer alguma coisa, a fim de impedir que o comboio avançasse a barreira; se isto acontecesse, todos morreriam fatalmente. Tentar voltar a estação, antes da partida do trem, seria impossível, porque o tempo era curto demais. O que fazer, então?
Meteu a mão no enorme bolso da sua capa de lona e ali encontrou um pequeno lenço branco, mas se o agitasse em forma de bandeira, o maquinista certamente não tomaria o gesto como aviso de um perigo iminente... Corria o tempo e cada vez mais aumentava a possibilidade de um trágico e irremediável acidente. De súbito aquele vigia, tomado de profundo amor e compaixão pelos passageiros que sucumbiriam se uma decisão imediata não fosse tomada, quebrou a garrafa que continha o seu café e com um caco bastante afiado cortou uma das suas artérias, embebendo o lenço branco com o seu próprio sangue. Agora, totalmente rubro, ele foi transformado numa bandeira que, colocada a frente da lanterna, seria tido como um reconhecido sinal de perigo.
Caminhou em direto a estação, o quanto o tempo lhe permitiu e, assim, numa distancia mais ou menos afastada do local do deslizamento, nosso guarda agitou a bandeira, permitindo a redução da velocidade desempenhada pelo trem, antes de se aproximar demasiadamente do local. O acidente foi evitado e todas as vidas foram salvas da morte fatal.
Esse foi também o empenho e o propósito de Cristo, quando verteu o seu próprio sangue, a fim de nos livrar da condenação que recairia sobre o homem.
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