Poseidon, o que sacode a terra novo
Coube a Poseidon o mar, mas os gregos o chamavam de o que sacode a terra, e isso diz mais sobre ele: terremoto e maremoto eram a mesma coisa vista de dois lugares, e os dois eram ele de mau humor. Quem morava numa península de terra instável tinha motivo de sobra para respeitá-lo.
O tridente é o arpão de três pontas dos pescadores de atum do Mediterrâneo, e não uma invenção divina: o povo deu ao deus a ferramenta do próprio trabalho. Com ele Poseidon abre fontes na rocha, levanta ilhas e afunda frotas.
Perdeu Atenas para Atena numa disputa que vale a pena contar: cada um ofereceria um presente à cidade e o melhor levaria o nome. Poseidon bateu o tridente na pedra e fez brotar uma fonte de água salgada. Atena plantou a oliveira. Os cidadãos escolheram a árvore que dá comida, óleo e madeira, e o deus do mar saiu de lá ofendido para sempre.
Na Odisseia é ele quem persegue Ulisses por dez anos, porque o herói cegou o ciclope Polifemo, filho seu. O mar da epopeia não é cenário: é um deus com mágoa pessoal.
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