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A Esmola de Dulce


E todo o dia eu vou como um perdido 
De dor, por entre a dolorosa estrada, 
Pedir a Dulce, a minha bem amada, 
A esmola dum carinho apetecido. 

E ela fita-me, o olhar enlanguescido, 
E eu balbucio trêmula balada: 
- Senhora, dai-me u’a esmola - e estertorada 
A minha voz soluça num gemido. 

Morre-me a voz, e eu gemo o último harpejo, 
Estendo à Dulce a mão, a fé perdida, 
E dos lábios de Dulce cai um beijo. 

Depois, como este beijo me consola! 
Bendita seja a Dulce! A minha vida 
Estava unicamente nessa esmola.

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