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Triste de saudade

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18 versos

Quem passa debaixo
da minha janela
ultimamente
não ouve nada:
só o silêncio.

Eu o guardo como um luto
fechado em meu peito
amarrado com tristeza
barbante e saudade.

Aqui dentro, ele dorme
como um cão vigia.
Meu grande medo é seu sobressalto
ai de mim, se me toma de assalto.

Quem por aqui passa
não nota o meu lento e cuidadoso movimento
só mesmo o barulho do vento.

Ultimamente
não quero lembrar que eu existo.

Na coleção Para a saudade, leitura 9 de 12
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O Rato de Biblioteca, Carl Spitzweg
O Rato de Biblioteca, Carl SpitzwegArte escolhida pelo tema poesia. Domínio público. Ver no Wikimedia Commons