Procura da poesia
- Tamanho
- 43 versos
(...)
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
Há calma e frescura na superfície intata.
Hei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
Como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sobre a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram da noite as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo
início
Em verdade te digo
Reinaldo
Você não é olhos
Você não é sangue
Você não é ossos
Você não é pele.
Tudo isso é acessório.
Em verdade te digo:
Você é sentimento
Você é calor
Você é pensamento.
Isso tudo e o antes e o depois é Deus.
Em verdade te digo:
É o pensamento que atua e vibra.
É o sentimento que sangra.
É o amor que aquece a criatura divina.

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