Acervo › Material Poético › Mestres da Poesia
Movimento da Espada
Estamos quites, irmão vingador.
e uma pobreza feita de pérolas
Desceu a espada
salva o tempo, resgata a noite.
E cortou o braço.
Irmão, saber que és irmão,
Cá esta ele, molhado e rubro.
na carne como nos domingos.
Dói o ombro, mas sobre o ombro
tua justiça resplandece.
Rolaremos juntos pelo mar...
Agasalhado em tua vingança,
Já podes sorrir, tua boca
Puro e imparcial como um cadáver que o ar embalsamasse,
moldar-se em beijo de amor.
serei carga jogada às ondas,
Beijo-te, irmão, minha dívida
mas as ondas, também elas, secam,
Está paga.
E o sol brilha sempre.
Fizemos as contas, estamos alegres.
Sobre minha mesa, sobre minha cova, como brilha o sol!
Tua lâmina corta, mas é doce,
Obrigado, irmão, pelo sol que me deste,
a carne sente, mas limpa-se.
Na aparência roubando-o .
O sol eterno brilha de novo
Já não posso classificar os bens preciosos.
e seca a ferida.
Tudo é precioso...
e tranqüilo
Mutilado, mas quanto movimento
como olhos guardados nas pálpebras.
em mim procura ordem.
O que perdi se multiplica...
Autor: Carlos Drummond de Andrade
De onde veio esta página. Do arquivo index__url_material_poetico_mestres_da_poesia_carlos_drummond_019.html.html, recuperado das capturas do Internet Archive. O texto acima é o mesmo, palavra por palavra: só a tipografia mudou.