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Movimento da Espada


Estamos quites, irmão vingador.
e uma pobreza feita de pérolas

Desceu a espada
salva o tempo, resgata a noite.

E cortou o braço.
Irmão, saber que és irmão,

Cá esta ele, molhado e rubro.
na carne como nos domingos.

Dói o ombro, mas sobre o ombro

tua justiça resplandece.
Rolaremos juntos pelo mar...

Agasalhado em tua vingança,

Já podes sorrir, tua boca
Puro e imparcial como um cadáver que o ar embalsamasse, 

moldar-se em beijo de amor.
serei carga jogada às ondas, 

Beijo-te, irmão, minha dívida 
mas as ondas, também elas, secam,

Está paga.
E o sol brilha sempre.

Fizemos as contas, estamos alegres.

Sobre minha mesa, sobre minha cova, como brilha o sol!

Tua lâmina corta, mas é doce,
Obrigado, irmão, pelo sol que me deste, 

a carne sente, mas limpa-se.
Na aparência roubando-o .

O sol eterno brilha de novo
Já não posso classificar os bens preciosos.

e seca a ferida.
Tudo é precioso...

e tranqüilo

Mutilado, mas quanto movimento
como olhos guardados nas pálpebras.

em mim procura ordem.

O que perdi se multiplica... 

O Rato de Biblioteca, Carl Spitzweg
O Rato de Biblioteca, Carl SpitzwegArte escolhida pelo tema poesia. Domínio público. Ver no Wikimedia Commons