Estamos quites, irmão vingador. e uma pobreza feita de pérolas
Desceu a espada salva o tempo, resgata a noite.
E cortou o braço. Irmão, saber que és irmão,
Cá esta ele, molhado e rubro. na carne como nos domingos.
Dói o ombro, mas sobre o ombro
tua justiça resplandece. Rolaremos juntos pelo mar...
Agasalhado em tua vingança,
Já podes sorrir, tua boca Puro e imparcial como um cadáver que o ar embalsamasse,
moldar-se em beijo de amor. serei carga jogada às ondas,
Beijo-te, irmão, minha dívida mas as ondas, também elas, secam,
Está paga. E o sol brilha sempre.
Fizemos as contas, estamos alegres.
Sobre minha mesa, sobre minha cova, como brilha o sol!
Tua lâmina corta, mas é doce, Obrigado, irmão, pelo sol que me deste,
a carne sente, mas limpa-se. Na aparência roubando-o .
O sol eterno brilha de novo Já não posso classificar os bens preciosos.
e seca a ferida. Tudo é precioso...
e tranqüilo
Mutilado, mas quanto movimento como olhos guardados nas pálpebras.
em mim procura ordem.
O que perdi se multiplica...
Autor: Carlos Drummond de Andrade |