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Glossário Crítico-Literário
PRIVATE- A - | Descrição |
Ação | É o desenrolar dos acontecimento que determinam o tema da narração; é o desenvolvimento de episódios por meio de personagens, em cenas que reproduzem ou transfiguram a realidade. |
Alegoria | Uma forma de figuração verbal. caracterizada pela superposição de metáforas. Consiste numa proposição de duplo sentido: um sentido literal e um ideológico ou espiritual. |
Aliteração | Repetição do mesmo ou similar fonema consonântico, dentro do mesmo verso ou estrofe, sobretudo nas tônicas iniciais. |
Alba (ou Alva) | Composição lírica provençal (aubade) que relata fatos ocorridos ao alvorecer: quer de amantes que reclamam o fim da noite dormida juntos, quer daqueles que saúdam o novo dia. |
Ambiente | Circunscrição da ação narrada. Um dos elementos estruturais da narrativa, podendo ser de natureza físico-geográfica ou metafísico. O ambiente é uma das formas de ser do espaço interior ou exterior. |
Anadiplose | Figura que resulta da repetição, no início do verso, de palavra ou palavras deixadas no final do verso anterior. |
Anáfora | Figura que consiste em repetir a mesma palavra (ou palavras) no início de cada verso. |
Anagrama | Palavra ou seqüência de palavras que se pode obter, através da transposição ou inversão das letras, outra palavra e outro entendimento. Ex.: Roma amor; gato toga. |
Anástrofe | Figura centrada na intencional inversão da ordem das palavras. |
Antífrase | Figura marcada por um tipo de ironia verbal: é um enunciado frásico que quer dizer o oposto do que expressa. |
Antístrofe | Responsório entoado pelo coro nas odes gregas que ponderava o curso dos acontecimentos. |
Antítese | Figura que aproxima termos opostos para, intencionalmente, demonstrar os contrastes da significação. |
Apólogo | Narração alegórica de caráter moralizante geralmente protagonizada por seres inumanos que, animizados, desempenham e representam papéis humanos. |
Apóstrofe | Desvio discursivo, em forma exclamativa, feito para aludir outra idéia ou outra pessoa alheia ao contexto do discurso. |
Arremedilho | Espécie de teatro cômico-popular de caráter picaresco, voltado sobretudo para a paródia de situações. |
Assonância | Repetição da vogal tônica nos versos; tipo de rima, também chamada de vocálica. |
Atafiinda | Freqüente na poesia trovadoresca, esse processo consistia em encadear versos. O final de um adentra no início do outro, à semelhança do enjambement. |
Aurea mediocritas | Expressão latina (mediania dourada, aprazível) que definia uma das utopias do Arcadismo. Seguindo os Antigos e a Renascença, os árcades atribuíam à existência bucólica um ideal supremo, por estar distanciada dos transtornos |
Auto | Drama religioso ou moralizante, característico da Idade Média, composto em poesia. |
- B - | Descrição |
Bailada (ou Bailia) | Composição poética, de origem trovadoresca , marcada sobretudo pelo ritmo que a tornava também dançante; daí sua designação. |
Balada | Uma das formas poéticas mais primitivas, mesclando letra e música, que narrando um episódio, vai desenhando uma coreografia que contagia a platéia e a diverte, simultaneamente. |
Barbarismo | Espécie de impropriedade idiomática, marcada pela inadequação terminológica, reveladora de falta de domínio lingüístico. |
Barcarola | Na Idade Média, era uma cantiga de amigo que versava sobre assuntos referentes ao mar, lago ou rio; também denominada de marinha. Modernamente, denomina toda composição sentimental e melodiosa que desenvolve um tema marítimo. |
Bucolismo | Sentimento atribuído ao espírito que, entre os árcades, voltava-se para o ambiente campeste, pastoril (boukolikós) e demais encantos da natureza. Tal sentimento domina a poesia chamada de bucólica, retratada em éclogas e idílios. |
- C - | Descrição |
Cacofonia | Combinação, intencional ou não, de efeitos sonoros desagradáveis na linguagem poética ou coloquial, geralmente descambando para a ambigüidade, para a polissemia ou obscenidade. |
Canção | Geralmente uma composição lírica culta, cheia de artifícios poéticos (introdução, fiinda, leixa-pren...). Vários tipos existentes: trovadoresca, clássica, ligeira, cançoneta... A Canção de gesta, exaltando heróis, santos e feitos religiosos, chegaram a conter traços épicos. |
Cantata | Gênero poético culto, versando temas nobres em estilo elevado. Possui uma estrutura: uma exposição (em decassílabos); um recitativo (em versos de seis sílabas) e um fecho (também chamado de ária) em versos |
Cantiga | Denominação genérica dada às composições medievais. Com predominância de um teor lírico sobre o satírico, eram poemas curtos em versos de cinco a sete sílabas, marcados pela repetição de versos. A variedade é grande: de amigo, de amor, cantiga de escárnio e de maldizer, de mestria, de refrão, de romaria, dialogada, paralelística, de atafiinda... |
Cantilena | Curtas canções, repetitivas no tema, pendendo para a monotonia temática e rítmica. |
Caracterização | Denominação dada à idealização e concretização de personagens (character, ingl.), especificando pormenores importantes para a consistência e coerência de cada tipo apresentado. |
Carnavalização | M. Bakhtine fez do carnaval um princípio explicativo da sua poética. Verificando a visão de mundo carnavalesca, construiu um sistema de interpretação literária, bastante flexível e heurístico, capaz de detectar sutilezas do discurso literário que, nesta visão, é violador do normativo e capaz de operar mésalliances típicas do mundo ao avesso. |
Catarse | Depuração, purgação, purificação das emoções é o sentido do termo em grego. Estende-se esse conceito para uma teoria em que a realização da tragédia, através das personagens, é uma forma de depuração sentimental e |
Cesura | Pausa vocal no interior do verso; por extensão, é a sílaba átona, não acentuada do verso. |
Chave de ouro | Geralmente é o verso final do soneto, concentrador de maior carga poética, imagética... um fecho de ouro. |
Clímax | Em textos narrativos, é o ápice da ação que espera por um desfecho, face às tensões e conflitos existentes. Em poesia, é a denominação dada a um tipo de gradação, a ascendente, executada sobretudo por uma seqüência |
Cobra (ou Talho) | Denominação dada às estrofes (coblas), no trovadorismo medieval; corruptela do termo copla. Variedade: singular (rima própria em cada estrofe), uníssonas (mesma rima em todas as estrofes), doblas (mesma rima em duas estrofes. |
Comédia | Representação satírica de costumes, caracteres e acontecimentos sociais. Pela etimologia (kómos = aldeia) esse tipo de representação se originou nas manifestações populares cujo fim era mais o burlesco e risível dos fatos. |
Comparação | Aproximação de pares cujo objetivo é verificar semelhanças e dessemelhanças; realização de equivalências terminológicas, devido à similitude, analogia entre objetos, por meio de conectivos (como, assim como, tal, tal qual...). |
Conto | Narrativa curta, centrada geralmente numa ação, envolvendo poucas personagens em pequenos ambientes. |
Copla | Ver: Cobra. |
Coriambo | Tipo de pé (sílaba métrica) greco-romano: uma longa, duas breves e uma longa. |
Crítica | Atividade que, partindo da análise e investigação, procura avaliar a obra de arte dentro de critérios (juízos) estabelecidos por sistemas ideológicos, filosóficos, científicos... A variedade da Crítica é uma decorrência da |
- D - | Descrição |
Décima | Estrofe de versos de arte menor, dispostos no esquema rimático seguinte: abbaaccddc. |
Dedicatória | Uma das partes em que se divide a Epopéia, aquela a que(m) se oferta a obra criada. |
Descordo (ou Descord) | Espécie de cantiga trovadoresca em que se revela a turbulência da amiga, diante da incorrespondência amorosa do amigo. |
Descrição | Uma das partes da narrativa, complementar da narração, em que a motivação se encarrega de detalhar personagens, espaço e tempo, de forma a tornar o todo coerente com os dados narrativos. |
Diácope | Figura de linguagem marcada pela repetição de uma ou mais palavra, tendo outra(s) inseridas no intervalo da repetição, com o objetivo de enfatizar o conteúdo da expressão. |
Discurso | Enunciação que se propõe a um interlocutor com o fim de influenciá-lo. Forma-se de um encadeamento de sintagmas e se revela numa pluralidade de textos: literário, épico, científico, parodístico... |
Ditirambo | Poema lírico de pequena extensão destinado a celebrar Baco; a músicalidade é fundamental em detrimento do conteúdo. |
Dobre | Figura de repetição de palavras, em versos diversos e em posições semelhantes que, na poesia trovadoresca, era estratégia de rimas, segundo a Poética Fragmentária. |
Drama | Genericamente, toda e qualquer representação teatral. Em grego a palavra significa ação. Distingue-se da tragédia pela inexistência da morte do protagonista, e da comédia, pela falta de ênfase dada ao teor burlesco. O drama concentra-se na seriedade e na forte dosagem de tensão porque passam as personagens. Variedade: histórico, naturalista, romântico, satírico,burguês, de costumes... |
- E - | Descrição |
Eco | Som repetido insistentemente no mesmo verso. O mesmo que ressonância. Tanto pode ser considerado um defeito poético como uma virtude, quando usado como espécie de rima. |
Écloga | Poema escrito sob a forma de diálogo, celebrando a vida campestre, os amores pastoris. Entre os antigos, servia também como meio para reflexões morais, estéticas e filosóficas. Variedade: pastoril, piscatória, venatória. |
Elegia | Composição que expressa sentimentos de tristeza, causada por situações funestas; lamento ou canto fúnebre |
Elipse | Elipse centrada na supressão de uma palavra ou frase que, mesmo oculta, é facilmente apreendida na compreensão. Ver: Zeugma. |
Elisão | Em metrificação, é a supressão, oral ou gráfica, de vogais átonas na mesma sílaba. |
Eloqüência | Capacidade de desenvolvimento de um tema, expresso de modo agradável, fluente e convincente ao ouvinte (leitor). |
Emblema | Espécie de macro metáfora. Figura que contém em si, simbologia, alegoria, alusões, agregadas numa sentença ou num mote de teor moralizante. |
Endecha | Forma fixa de origem ibérica, composta por quatro versos de cinco sílabas (romancilho), seis sílabas (real), de |
Enjambement | É a separação daquilo que sintática e semanticamente deveria estar unido. Nos versos, a separação é feita do final de um verso para o início de outro. Também chamado de cavalgamento, é uma forma moderna da atafiinda |
Enredo | Organização dos fatos, episódios, acontecimentos de uma ação narrativa. O enredo pode ser linear ou fragmentado, obedecendo à estruturação sucessiva ou simultânea de apresentação. É comum estar como termo correlato de: intriga, trama, história, "plot". |
Ensaio | Texto em prosa que propõe um debate ou discussão em torno de um assunto ainda em exame (significado etimológico) e investigação. Geralmente os ensaios não devem possuir tom dogmático ou conclusivo. |
Entremez | Representação já em desuso e que fora, nas cortes da Idade Média à Renascença, lugar comum durante as refeições de recepção da nobreza. Consistia em breves encenações levadas a efeito entre um prato e outro que se servia à mesa. Conteúdo do entremez: os contrastes do mundo, mesclado, carnavalescamente, o riso e o choro, tendendo mais para a comédia. |
Epicédio | Breve composição poética do tipo ode, com a qual se celebra ou exalta a figura de ilustres seres mortos, destacando-lhe as virtudes. Outras odes fúnebres: nênia, treno. |
Épico | Qualidade do texto narrativo, dotado de tom elevado, de fatos grandiosos e de heróis espetaculares. |
Epigrama | Genericamente é toda inscrição existente acima (sobre) de algo. Em poesia, designa uma composição curta (quarteto) de tema livre, indo dos elogios à bebida ao auto-retrato sintético de alguém. |
Epílogo | Qualquer final de obra. Nas representações dramáticas era a palavra final de despedida do ator. Parte final da epopéia, (...) |
Epinício | Hino grego entoado nas vitórias dos jogos olímpicos. Ver: Hino. |
Episódio | Em textos narrativos é a reunião de vários acontecimentos dispostos numa seqüência que possua início, meio e fim. Nas epopéias, os episódios constituem as partes autônomas ali existentes. |
Epístola | Do grego (carta), manteve sua forma aparente: qualquer texto cuja aparência contiver a missiva semelhança. Diz-se, também, de um gênero a serviço de poetas e prosadores: epistolografia. |
Epitalâmio | Celebração poética das bodas. Ver: Himeneu. |
Epizeuxe | Figura que repete sem intervalo, no mesmo verso, várias vezes, a mesma palavra. |
Epopéia | Poema narrativo (épos), em estilo grandioso, das façanhas heróicas de um povo, em que intervêm seres sobrenaturais (o maravilhoso). |
Estásimo | Uma das partes da tragédia grega: aquela que antecedia a entrada do coro. |
Estética | Oriunda do grego, essa palavra designa, hoje, uma maneira de perceber a arte. Concentrada na raiz da palavra, sensação, a estética amplia a dimensão poética no conglomerado de outras visões e de outras artes. É uma espécie de ciência (fenomenologia) da arte moderna ou a nova filosofia da arte. |
Estilo | Traço expressivo, individual ou coletivo, revelador de tendências e peculiaridades da linguagem artística. Visto como desvio do padrão, como idioleto, identidade com o outro-eu, o termo evoluiu de uma significação |
Estrofe | Conjunto de um número limitado de versos, possuindo uma disposição fixa de rimas e de metros. |
Eufemismo | Figura que atenua ou disfarça o impacto que um outro termo expressaria de modo chocante, desagradável ou repugnante. |
Eufonia | Oposto a cacofonia, este termo designa o agradável e harmônico efeito que as palavras combinadas apresentam num verso. |
Êxodo | Uma das partes da tragédia grega: a final. |
- F - | Descrição |
Fábula | Tradicionalmente, narrativa oral ou literária, em que animais protagonizam lições de vida. Aristóteles usa tal conceito para especificar o conjunto de ações que a obra perfaz. Os formalistas russos usaram, opostamente |
Farsa | Espécie de composição cômica que, em tom zombeteiro e picante, documenta e satiriza os costumes de uma época. Origem medieval. |
Ficção | Geralmente usado como sinônimo de prosa ou complemento desse termo: a narrativa que inventa. Popularmente: mentira. |
Figura | Recurso de linguagem; uso conotativo que se faz intencionalmente de alguma palavra, provocando um desvio de uso. Expressões literárias que diferenciam o discurso coloquial do artístico, do poético. |
Forma | Termo de uso discutível que pretende definir a aparência (da expressão ou do conteúdo) de alguma manifestação artística. Segundo uma parte da Crítica, a forma é instância que dá o estatuto artístico da produção literária. |
Formalismo | Tendência surgida, na Rússia pré-soviética, de grupos de estudiosos da literatura e da lingüística, preocupados com os elementos imanentes da obra ou do discurso, cuja ambição era fundar uma teoria da literaridade. |
- G - | Descrição |
Gênero | Designação tradicional que tenciona congregar em sistema, em grupos ou tipos, toda manifestação artística. Pelo fato de a arte ser um objeto complexo, fica cada vez mais difícil determinar gêneros puros. Variedade: |
Gradação | Figura que dispõe os termos de locução numa ordem progressiva dentro do discurso. Variedade: numérica, intensiva (de palavras mais fracas para mais fortes), regressiva (degradando a intensidade dos termos). |
- H - | Descrição |
Hemistíquio | Pelos cânones gregos de metrificação seria cada uma das partes do verso dividido pela cesura. Diz-se, também, da metade de um verso alexandrino (doze sílabas). |
Hiato | Considerado um defeito grave nos compêndios de métrica, é o encontro de duas ou mais vogais semelhantes num mesmo verso. Há poetas que o empregaram com a intenção de ressaltar o efeito. |
Himeneu | Canto nupcial que celebra a entrega amorosa dos cônjuges; o mesmo que Epitalâmio. |
Hino | Qualquer composição poética que, acoplada à música, exalta uma circunstância importante. Tardiamente, eram cantos religiosos ou cívicos. |
Hipálage | Figura que atribui a um ser ou coisa, designados por uma palavra, qualidade ou ação pertencente a outra realidade, mas que por via do subentendimento, fica evidenciada a lógica da transposição. |
Hipérbato | Figura centrada na inversão violenta da ordem das palavras, capaz de diminuir o entendimento do verso. |
Hipérbole | Figura que consiste no exagero dos termos, querendo dar ênfase ao pensamento. Convém lembrar que o exagero existe nos dois sentidos: tanto para aumentar como para diminuir a dimensão do pensamento. |
- I - | Descrição |
Icto | Em versificação, é o som forte de uma sílaba do verso. Termo latino que esclarece a origem de pé (ictus) silábico. |
Idílio | Breve e antiga composição poética de temática campestre, destacando os quadros (eydilion) da vida pastoril. Difere da écloga que se apresenta em diálogo. |
Imagem | Em sentido lato, engloba figuras como a metáfora, o símbolo, a alegoria... figuras criadas por uma comparação. Em sentido restrito designa o símile: comparação em que todos os termos estão expressos. |
Impressionismo | Uma das tendências da Pintura do séc. XIX, cujo objetivo era, segundo Claude Monet, captar com a impressão do momento a cena registrada. Em literatura, os irmãos Goncourt assimilaram a técnica do pontilhismo que, |
Intriga | Ver: Enredo. |
Invocação | Uma das partes da epopéia: aquela em que o poeta, dirigindo-se às divindades, solicita a inspiração para o novo canto. |
Ironia | Figura pela qual se sugere, intencionalmente, o contrário do que se quer dizer. Na dramaturgia grega, a ironia era um dos ingredientes motivadores da tragédia. Variedade: ironia verbal, de situação e do destino. |
- J - | |
Jogral | Nome dado àquele que executava as composições dos trovadores, na Idade Média. Por sua atividade, recebia pagamento. Modernamente, denomina-se com este rótulo os grupos que recitam e representam com cânticos, peças poéticas ou dramáticas. |
Juízo crítico | Expressão designadora de um parâmetro usado para julgar elementos da arte a ser analisada. |
- L - | |
Laconismo | Excessiva sobriedade verbal; falar ou escrever usando pouquíssimas palavras. |
Leixa-pren | Recurso poético, comum ao trovadorismo medieval, que consiste na repetição de uma ou mais palavras que figuram no último verso de uma estrofe, ou de todo o último verso, no primeiro verso da estrofe imediata. |
Lira | Designação de composição poética, de cinco versos, com dois deles em decassílabos e três em hexassílabos (ou em inversão). A disposição tradicional das rimas: ababb ou abaab. |
Lírica | Denominação de uma boa parte das composições poéticas dotadas de concentração do lirismo (Ver). |
Lírico | Um dos gêneros tradicionais da Poética de Aristóteles, marcada pelo maior grau de lirismo. |
Lirismo | Essencialmente, define-se pelo sentimentalismo individual, pelas emoções subjetivas que predominam em composições literárias. Modernamente, tem assumido o uso que a Crítica lhe dá como sinônimo de individualismo |
Loa | Composição poética de cunho laudatório. Loar é forma arcaica de louvar; daí louvação ser sinônimo de loação. |
- M - | Descrição |
Madrigal | Espécie breve de composição poética (uma estrofe de dez versos redondilhos ou decassílabos) usada para expressar o amor, um galante pensamento, idéias amenas. |
Maravilhoso | Termo usado para designar a mitologia pagã da antiga Grécia. Também usado para definir uma espécie do realismo fantástico da literatura narrativa da segunda metade do séc. XX. |
Melodrama | Muito remotamente, conforme a etimologia, eram dramas acompanhados de música instrumental (melos). Hodiernamente, predomina um sentido pejorativo: exageração do drama, em que as atitudes e gestos do "herói", descambam para o sentimentalismo piegas. |
Metáfora | Transferência de significado próprio de um vocábulo para outro, devido à semelhança existente ambos. A metáfora pura é a comparação elíptica, ou seja, aquela comparação da qual foram retirados os termos comparativos. |
Meta-romance | Oportunismo terminológico, na esteira de metalinguagem, que atribui ao romance uma autoconsciência, reveladora da sua própria carpintaria. Uma escritura que em si traz a explicação do seu próprio fazer-poético. |
Metonímia | Figura pela qual se designa uma realidade por meio de um termo referente a outra que está objetivamente relacionada com a primeira, quer pela parte, quer pelo conteúdo, quer pelo efeito... |
Milagre | Representação de origem medieval, centrada em episódios referentes à vida de homens exemplares ou santos, com o objetivo de persuadir ou converter fiéis tementes a Deus. |
Mimo | Inicialmente, no século III a. C. era uma espécie de representação de quadros breves, sem enredo, que satirizava tipos e costumes. Mimos, em grego era o ator desses quadros que, imitando animais e coisas, |
Mistério | Representação do teatro medieval religioso que tratava de temas bíblicos, destacando sobretudo a Paixão do Cristo. |
Mito | Qualquer narração de estórias anônimas, relativas às origens e aos destinos; explicações do mundo, do comportamento humano. É uma explicação (ambígua?!) àquilo que se quer saber. É uma linguagem cujo |
Modinha | Composição popular sempre acompanhada de viola (moda de viola), ou violão cujo teor se volta para a exaltação da beleza da mulher, da natureza, dos sentimentos elevados. |
Momo | Espécie de encenação cômica, semelhante ao arremedilho que, dispensando as palavras, pode manter-se na pura imitação pitoresca das coisas e acontecimentos e, sempre, provocando o riso. |
Monólogo | Espécie de estratégia literária em que o apresentado ou narrado é feito com base num único foco (monos) do qual emana a palavra. No moderno romance, destaca-se a existência do monólogo interior. |
Moralidade | Uma das formas de ser do teatro religioso medieval: encenações alegóricas, expositoras de algum caso do qual se deveria inferir uma lição ou moral para a vida. |
Mozdobre (ou Mordobre) | Artifício poético, comum às manifestações trovadorescas, que consistia em repetir (dobrar), na palavra final de um verso, uma variante gramatical da última palavra (motz) do verso precedente. |
- N - | Descrição |
Narração | Uma das partes da Retórica clássica, caracterizada pela exposição pormenorizada de uma proposição. Para a Crítica literária é um relato enfatizado pelo ponto-de-vista do narrador que orienta e simula situações para a versão que queira dar ao narratário (leitor virtual). Modernamente, há uma preferência substitutiva: narrativa. |
Naturalismo | Tendência literária do séc. XIX que trazia para a ficção as prerrogativas do cientificismo da época, sobretudo do geneticismo, tornando as personagens verdadeiras conseqüências do ambiente em que viviam ou |
Nénia | Tipo de ode coral que, como o epicédio é uma espécie de poema fúnebre, pouco maior que este. |
Neo-realismo | Manifestações, sobretudo na narrativa de ficção italiana e portuguesa, enfatizando o teor ideológico, numa linha materialista, rumo à conscientização transformadora da sociedade. |
Nouveau roman | Tendência da metade do séc. XX, originária da França, seguindo a desagregação do romance tradicional. Apoiava-se na perspectiva de esvaziamento da personagem que, por sua vez, implica nova maneira de narrar, melhor, de testemunhar sensações, com arranjos técnicos, desuniformizando a figura do narrador. |
Novela | Espécie literária, em prosa, que narra acontecimentos dentro de uma área temporal e espacial condensada, com tratamento limitado das personagens e com uma ação de desenvolvimento rápido. |
- O - | Descrição |
Ode | Composição poética, lírica, feita para exaltar feitos nacionais (cívica), a vida campestre (pastoril), o amor e a vida (báquica ou anacreôntica)... Outras variedades: coral, epódica, heróica, olímpica, ode pessoal, pindárica, sáfica, ... |
Oitava | Estrofe de oito versos decassílabos, com rima cruzada nos seis primeiros e rima emparelhada nos dois últimos. |
Onomatopéia | Espécie de harmonia imitativa, na qual o som dos fonemas tenta realizar a idéia real ou semelhante da ação ou do objeto a ser representado. |
- P - | Descrição |
Palavra perduda | Expressão usada, no Cancioneiro da Biblioteca Nacional, para designar o verso branco, inserido nas estrofes das cantigas medievais. |
Pantomima | Espécie de mimo, mesclado com fundo musical e desempenhado por um só ator. (Existe, também a forma pantomimo). |
Parábola | Modalidade de texto escrito ou oral que por meio de alusões transmite ensinamentos de caráter moralizante. |
Paráfrase | Composição que, com fins explicativos, converte o poema em prosa, e vice-versa. Considera-se, também, paráfrase toda e qualquer ampliação explicativa que dialoga com outro texto no qual se inspira. |
Paralelismo | Repetição de uma estrutura da frase ou do verso, não necessitando que as palavras repetidas sejam as mesmas. Nas cantigas medievais era uma estratégia comum aos trovadores. |
Parenética | Termo retórico, usado em Crítica para revelar um tipo de eloqüência severa com certos temas que defende. |
Párado | Uma das partes em que se dividia a tragédia grega: era o primeiro canto do coro, que precedia o primeiro episódio. |
Paródia | Texto literário que, com intenções satíricas ou burlescas, imita a forma e o conteúdo de um outro texto célebre. |
Pastorela | Uma das variedades da cantiga medieval, centrada na figura da pastora que às vezes reclama a infidelidade do seu amigo, ou dialoga com suas parceiras sobre o Amor. |
Perífrase | Substituição de uma palavra por uma seqüência frasal (perífrase lexical), ou troca de um termo por circunlóquios eufemísticos (perífrase estilística), de que resulta a alusão. |
Perissologia | Verbosidade supérflua; o mesmo que psitacismo. Constitui-se no oposto do laconismo. |
Personagem | Um dos elementos estruturais da narrativa, aquele que desempenha a ação, recebendo atribuição, caracteres (marcas) que o definem e que podem conturbá-lo no desenrolar da trama. Variedade: principais, secundárias, |
Pleonasmo | Figura que se concentra no reforço da idéia contida numa palavra pela utilização doutra palavra ou grupo de palavras que contêm um sentido que está implícito na primeira. |
Poema | Uma dos modos de concretizar a poesia; se a poesia é sentimento (abstrato), o poema é de natureza material (concreto), composto de palavras ou extensões de palavra, dotado de ritmo e de extensão variável. Variedade: lírico, didático, épico, herói-cômico... |
Poesia | Arte de combinar palavras e, desse resultado, transmitir emoções, idéias, fatos... que agradem ao espírito. Casar idéia (conteúdo) com expressão (forma) sempre foi a arena onde poetas, na luta pela expressão, venceram |
Polissemia | Variedade de significados que uma palavra pode conter com a mesma grafia. |
Prolixidade | Atribuição dada ao discurso carregado de ruídos. Considerado como defeito retórico por ser uma expressão preocupada mais com a seleção de palavras eruditas ou ornamentais do que com o entendimento que elas |
Prólogo | Genericamente, é todo início de poema ou prosa. No domínio da dramaturgia, é uma das partes (a inicial) da tragédia. |
Proposição | Uma das partes em que se divide a epopéia; aquela em que, sumariamente, se declara a essência da ação. |
Prosopopéia | Espécie de animização em que se atribui fisionomia, fala e atitudes a coisas ou pessoas, sobretudo mortas. |
Protagonista | Personagem principal; aquele em quem se concentra a maior carga dramática da ação narrativa. |
Psitacismo | Ver: Perissologia. |
- Q - | Descrição |
Quadra | Composição poética composta de quatro versos; estrofe popular de quatro versos, também chamada de quarteto, quadrinha ou trova. |
Quarteto | Ver: Quadra |
- R - | Descrição |
Realismo | Denominação dada à tendência literária que, na literatura do séc. XIX, impulsionada pelo cientificismo e materialismo de então, procurava desficcionalizá-la, abordando temas chãos, cruéis, próximos mesmo da |
Retórica | Outrora definia-se como a arte de bem falar. Modernamente, à semelhança de estética, designa uma teoria normativa da literaridade ou o conjunto de processos estilísticos de um escritor, de uma época ou de um gênero. |
Rima | Homogeneidade ou semelhança de sons, internos ou externos entre versos da mesma estrofe |
Ritmo | Existência de repetidas ocorrências sonoras, numa duração e freqüência capazes de marcar uma cadência que modula frases ou versos. |
Romance | Forma narrativa contendo várias ações, personagens, espaços e tempos; de complexo grau de intriga. Variedade: de aventuras, de cavalaria, de costumes, de ficção científica, histórico, naturalista, picaresco, policial, realista, social... Como forma poética, é um antigo poema narrativo, em redondilhas, marcado pela assonância das rimas. |
Rondel | Ver: Rondel. |
Rondó | Antiga forma fixa poética (séc. XII), composta de 14 versos divididos em três ou quatro estrofes, podendo inserir o quebrado (uma espécie de fiinda). A música sempre foi acompanhante do rondó. |
- S - | Descrição |
Sátira | Qualquer composição, inicialmente era em poesia, que em tom desabusado, burlesco, desdenha dos erros e defeitos alheios. |
Semiologia | Conjunto de conhecimentos e de técnicas que permite distinguir onde se encontram os signos, definir o que os faz signos, conhecer suas leis e liames com a realidade; compreensão da linguagem dos signos. |
Sextina | Sistema estrófico, de origem italiana, composto de seis sextilhas e um terceto. |
Simbolismo | Tendência ou estética literária do final do séc. XIX que prefere, por sugestões, evocar imagens, estados melancólicos, o nebuloso da realidade... A linguagem impressionista foi muito útil aos simbolistas que |
Símbolo | Expressão metafórica, carregada de intencionalidade; são emblemas de uma realidade. Se a metáfora estabelece uma relação de semelhança, o símbolo estabelece uma relação de significação, sobretudo ideológica. |
Sinalefa | Liberdade prosódica que consiste na união da vogal final de uma palavra com a vogal inicial da seguinte, numa mesma sílaba métrica. |
Sinédoque | Caso particular da metonímia, pelo qual se exprime o todo pela parte ou a parte pelo todo. |
Sinestesia | Figura que resulta da fusão de percepções relativas a diversos dados sensoriais; conjugar várias sensações numa só imagem. |
Solau | Composição medieval de caráter épico-lírico cujo teor se concentra no relato mais melancólico que narrativo. |
Soneto | Conjunto de catorze versos, compostos de duas quadras e dois tercetos (soneto italiano) ou três quadras e um dístico (soneto inglês). |
Sottie | Espécie de teatro cômico, de origem medieval, que recorria a um típico bobo, instrumento das troças e críticas dirigidas aos políticos. |
- T - | Descrição |
Talho (ou cobra) | Ver: Cobra. |
Tautologia | Figura que consiste em repetir a mesma idéia dizendo-a sob outra forma. |
Teatro | Denominação genérica dada à representação cênica de textos literários de variadíssima expressão: clássico, da vanguarda, do absurdo, épico, existencialista, expressionista, medieval, teatro psicológico, social, vicentino... |
Tema | Termo bastante amplo com o qual se pretende conceituar o conjunto de acontecimentos de uma narrativa, a linha condutora das idéias de um poema, ou de uma ação narrada. |
Tenção | Espécie de cantiga provençal e trovadoresca em que os trovadores dialogam, ora com outro trovador, ora com a pastora. Também conhecida como cantiga de contrate ou debate. |
Terceto (ou terza rima) | Estrofe de três versos ou cada uma das que compõem o soneto. A terza rima foi muito usada por Dante e sua característica é a existência de uma rima do primeiro com o terceiro verso que por sua vez rimam com o |
Tipo | Aquela personagem que reúne traços distintivos de uma classe, de um grupo. Variedade: social e psicológico. |
Tragédia | Representação de conflitos humanos oriundos das paixões em cujo termo é sempre o mortal ou fatal destino que preside. É composto de um prólogo e quatro ou cinco episódios (ou atos) que obedecem às unidades |
Treno | Ver: Epicédio. |
Triolé | Curto poema de forma fixa, composto de oito versos. O primeiro verso se repete no quarto e sétimo; o segundo é repetido ao final. Obedece à rima abaaabab. É uma forma correspondente do rondel francês. |
Trocadilho | O mesmo que os franceses chamam de calembour: um intencional jogo de significação obtido com alteração da forma da palavra ou da frase. |
Tropo | Tipo de linguagem figurada, marcada pela translação elegante de sentido, quer de uma palavra ou de uma frase, de modo que fala-se do objeto pela tangência e não pela objetividade. Vários são os tropos retóricos, como |
Trova | Qualquer composição composta por quatro versos (quarteto, quadrinha); na Idade Média era o equivalente à cantiga, donde o termo trovador para quem fizesse a cantiga. |
Trovador | Na Idade Média era o poeta lírico que compunha os versos e não os interpretava, deixando-a para o jogral ou menestrel. |
Trovadorismo | Denominação dada ao movimento poético, em Provença, no século XI, e difundido em várias outras regiões européias até o século XVI. Continha as chamadas canções ou cantigas de teor lírico e satírico, quase todas centradas na concepção da vida cultural e do amor cortês medieval. |
- U - | Descrição |
Unidade | Termo aristotélico que, como espécie de lei, rege as produções literárias. Segundo ele, deveria existir, em todas as obras, uma unidade temática, outra espacial, outra temporal. A ausência da unidade desagregaria a obra que ficaria sem consistência. |
Uníssonas | Tipo de cobras (estrofes) que os trovadores usavam: mesmo esquema de rimas nas estrofes do poema. |
- V - | Descrição |
Vaudeville | Tipo de comédia com ação complexa e, no século XVIII, entremeada de cançonetas. Equivalente da chamada comédia ligeira |
Variante | Denominação dada às composições que o autor dá à mesma idéia em outras produções, proporcionando um comparativismo expressivo, estilístico da sua produção. |
Versificação | Termo que designa o estudo das sílabas poéticas (metrificação). |
Versilibrismo | Execução dos versos poéticos desprovidos de rima; o mesmo que versos brancos |
Verso | É a linha do poema que, com sentido completo ou não, obedece a determinados rigores poéticos como ritmo, rima ou diagramação poética, pelos quais se distingue da prosa. |
Vilancete (ou vilancico) | Poema irregular pelo numero de sílabas; é a forma mais arcaica da glosa. Sua estrutura: um mote (ou estribilho) que se repete ao fim de cada estrofe que desenvolve o tema glosado. |
Vilanela | Poema formado por uma série de tercetos rimados, sendo que uma rima se prolonga: a do último verso do terceto. Ver: "Chama e fumo"de Manuel Bandeira. |
Volta | Versos que compõem a glosa e que nela se repetem com insistência. |
-X- | Descrição |
Xácara | Um forma de narrativa em verso, de origem popular, usada com freqüência nos intervalos teatrais do século XVII, sobretudo pelos autores espanhóis. |
- Z - | Descrição |
Zéjel | Poema de origem hispano-árabe que se estrutura da seguinte forma: um estribilho em dístico rimado, seguido de estrofes de três versos e mais um outro verso (chamado de volta) que rima com o estribilho. |
Zeugma | Figura que consiste na elipse de palavras, geralmente do verbo ser ou estar. Ver: Elipse. |
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