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Caminho do Meio
Reparaste que eu avanço na exata proporção do teu recuo?
Se te mantivesses no caminho do meio eu não precisaria avançar
e tampouco tu precisarias recuar...
Reparaste que eu encho a tua taça na mesma proporção
de que ela se me apresenta sempre vazia?
Se ela se mantivesse à meia borda,
por certo eu não a transbordaria...
Reparaste que eu falo demais
na exata medida em que tu falas de menos?
Se ao invés de silêncio retornasses as minhas falas,
na tua fala, o meu próprio silêncio se equilibraria...
Reparaste que todos os meus sins se contrapõem a todos os teus nãos?
Se houvesse alguns sins dentre os teus nãos,
os meus próprios sins aprenderiam a dizer talvez e no talvez,
os nossos sins e nãos se reconciliariam...
Avança um pouco para que eu consiga recuar
Transborda um tanto a minha taça para que eu possa esvaziar
Rasga de leve o teu silêncio para que eu aprenda a me calar
Articula algumas afirmações para que eu aprenda a me negar
Fica da minha altura para que eu não tenha que esticar
Equilibra assim os nossos pratos
Para além da nossa guerra de egos
E só então, em plenitude e verdade
Eu poderei te amar...
Fátima Irene Pinto
Do livro Momentos Catárticos
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De onde veio esta página. Do arquivo index__url_material_poetico_escritores_fatima_006.html.html, recuperado das capturas do Internet Archive. O texto acima é o mesmo, palavra por palavra: só a tipografia mudou.