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Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta. 

E lastimava, ignorante, a falta. 

Hoje não a lastimo. 

Não há falta na ausência. 

A ausência é um estar em mim. 

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, 

que rio e danço e invento exclamações alegres, 

porque a ausência, essa ausência assimilada, 

ninguém a rouba mais de mim. 

Na coleção Para a saudade, leitura 4 de 12
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Interior com uma mulher de costas, Vilhelm Hammershøi
Interior com uma mulher de costas, Vilhelm HammershøiArte escolhida pelo tema saudade. Domínio público. Ver no Wikimedia Commons