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A Nau


Sôfrega, alçando o hirto esporão guerreiro, 
Zarpa. A íngreme cordoalha úmida fica... 
Lambe-lhe a quilha a espúmea onda impudica 
E ébrios tritões, babando, haurem-lhe o cheiro 

Na glauca artéria equórea ou no estaleiro 
Ergue a alta mastreação, que o éter indica, 
E estende os braços de madeira rica 
Para as populações do mundo inteiro! 

Aguarda-a ampla reentrância de angra horrenda 
Pára e, a amarra agarrada à âncora, sonha! 
Mágoas, se as tem, subjugue-as ou disfarce-as... 

E não haver uma alma que lhe entenda 
A angústia transoceânica medonha 
No rangido de todas as enxárcias!

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