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Traição Mesquinha


"Ate o meu próprio intimo em quem eu tanto confiava, e que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar." (Salmos 41.9).

É incrível notar como o ser humano, para se defender de um erro, e capaz de envolver terceiros, sem se importar com o que possa lhes acontecer. Realmente, quantas intrigas, inimizades, acusações prejudiciais tem acontecido injustamente por causa de envolvimentos dessa natureza.

Por vários anos a empregada vinha sendo considerada eficiente, honesta e digna de confiança. Certa tarde, o patrão comunicou que iria receber a visita de um amigo para o jantar e pediu a ela que preparasse dois galetos, arroz e uma boa salada. A moca preparou os frangos muito bem, fez a salada e o arroz. Quando os galetos começaram a dourar, ela o avisou que tudo estava pronto e indagou se já podia servir a mesa.

- Ainda não. O meu amigo não chegou; e melhor retirar os frangos por um pouco e mais tarde volte-os para terminar de assar.

Uma hora mais tarde, a moca voltou a falar com o patrão se já estava na hora de servir o jantar. Sendo um pouco tarde, ele respondeu que ela fosse providenciando tudo, que ele iria pessoalmente buscar o amigo. Voltando aos galetos, em pouco tempo eles estavam prontos e a moca achou que deveria experimentar um pedaço bem ao jeito do patrão. Tomou um aperitivo e comeu todas as asas. Não aparecendo ninguém, ela tomou outro aperitivo e comeu outros pedaços, ate que nessa intercalação acabou por comer os dois galetos inteiros. Chega o patrão e manda servir a mesa, enquanto ele afiaria uma faca para cortar o assado.

A empregada, em pânico, procurava uma ideia salvadora para se justificar e ainda garantir seu emprego... Toca a campainha. Era o convidado que chegava para o jantar. Foi nesse momento que a brilhante ideia explodiu:

- Olha, acho bom o senhor nem entrar porque o patrão lhe armou uma cilada. Veja só como ele esta afiando uma faca para lhe tirar a vida...

Vendo-o, realmente, afiando a faca lá no interior da casa, o amigo não conseguia acreditar na informação, porem, as evidencias comprovavam aquilo que a moca dizia. Saiu em disparada. Nisso, a empregada volta e vai ate onde se encontrava o patrão e, com ares de susto, lhe diz friamente:

- Patrão, o seu convidado e de fato seu amigo? Faço esta pergunta porque nem consigo crer no que acabo de constatar... ele acaba de fazer uma coisa imperdoável! Imagine o senhor que ele chegou e eu o fiz entrar, mas enquanto me voltei para concluir minha tarefa, ele saiu correndo porta afora, carregando a travessa que continha os dois galetos!!!

- Olha aqui: você tem certeza que ele fez mesmo isso? Não ha qualquer possibilidade de engano? Ele e meu amigo ha muitos anos e eu sempre depositei nele a mais completa confiança. Muitas outras vezes ele já tomou refeições aqui em casa e nunca fez nada que desabonasse a sua conduta... Pois é, patrão, mas ha sempre uma primeira vez. Se o senhor esta duvidando, e só conferir... Cadê os dois galetos?

De onde veio esta página. Do arquivo index__url_astral_e_fe_contos_religiosos_051.html.html, recuperado das capturas do Internet Archive. O texto acima é o mesmo, palavra por palavra: só a tipografia mudou.

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