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Só um planeta Terra, uma só humanidade


Os recentes acontecimentos de descoberta de indícios de vida em um meteoro originário do planeta Marte, a descoberta de planetas em outros sistemas solares e a ficção do filme "Independence Day" devem nos fazer pensar. Assim como alguém que só viveu em uma vila pequena muda completamente sua perspectiva de vida ao conhecer a "cidade grande", nós também devemos tirar nosso olhar de nosso próprio umbigo e olhar para o firmamento. Se pensarmos na terra sob a ótica de um explorador espacial, nos sentiremos como o provinciano da vila, que não sabe pensar de uma forma mais ampla.

O desenvolvimento da cultura humana sempre oscilou entre o egocentrismo e a solidariedade para com o seu semelhante. Este comportamento se estende desde o indivíduo até a forma maior que o representa perante os outros indivíduos, que são os Estados ou Nações. Com o progresso nas telecomunicações e nos transportes, as últimas décadas viram o mundo "encolher" com cada vez maior intercâmbio entre pessoas e de informações. Este maior intercâmbio lentamente vem "diluindo" o sentimento de nacionalismo xenófobo, dando lugar, sub-repticiamente, a um ainda subconsciente sentimento de "humanismo universal". Precisamos estimular e incrementar este sentimento, pois somente com a conscientização plena do mesmo poderemos ter uma sólida base moral na qual o conceito "guerra" tornar-se-á primeiro estranho e, finalmente, obsceno. Temos de ter orgulho de sermos "seres humanos", em uma conceituação acima, superior, ao antigo conceito de orgulho nacionalista. Não é difícil nos conscientizarmos de que antes de sermos negros, brancos ou amarelos, americanos, russos ou tchetchenos, judeus ou árabes, armênios ou turcos... somos todos seres humanos. Vivemos, amamos nossos entes e choramos sua perda com a mesma intensidade ! Sangramos da mesma cor ! 

Que não seja necessário uma ameaça alienígena como no filme "ID4" para que nos tornemos conscientes desta realidade. A partir da introjeção deste sentimento de novo "humanismo", o sentimento seguinte que aflorará, límpido e cristalino, finalmente, será o da "Irmandade Universal". Quando tal conscientização for realmente universal, finalmente se encerrará o ciclo da "adolescência" na evolução da humanidade. Faça um exercício. Por um instante, olhe ao seu redor e pense - e aja - como se todos fossem - fôssemos - irmãos. Imediatamente sentiremos um sentimento de paz e harmonia nos invadindo, seguido de uma sensação estranha, quase de desconforto - ao nos conscientizarmos das necessidades destes "novos irmãos" que estamos "vendo" pela primeira vez. Ao mesmo tempo veremos dissipar-se aquele sentimento de prevenção, indiferença ou mesmo hostilidade à pessoas que nem sequer conhecemos! Nosso racionalismo nos diz: "puxa, realmente seria legal". nosso tempo verbal é: seria - porque consideramos uma utopia. mas nosso coração - admita - expressou o desejo de que se fosse possível seria legal. 

Nosso cérebro, racional (?) é que nos diz: não. Porém, quantos exemplos temos na história de fatos e ações heróicas que só foram possíveis porque foram ditados pelo coração - se tivesse sido usado somente o frio racionalismo, jamais teriam sido possíveis. Pois que o espírito humano faça com que nossos corações digam aos nossos cérebros: é possível - basta começar!! Elevemos nosso olhar para as estrelas e nos conscientizemos: somos humanos, terráqueos, para usarmos uma expressão que só será difundida quando o primeiro ser humano nascer em outro planeta (quando tivermos condições de chegar lá). Evidentemente, existem irmãos psicopatas, criminosos, assassinos, que devem ser punidos exemplarmente. mas constataremos um sentimento raro aflorar mesmo em relação a estas pessoas: compaixão. Este sentimento expressará, sempre expressou, pessoas evoluídas espiritualmente. Nossa próxima revolução terá que ser espiritual, caso contrário não conseguiremos implementar políticas econômicas e sociais realmente humanístas. Nosso novo lema deverá ser: "vamos resolver o problema, é nosso irmão!". Desemprego, o estigma do século XXI. "O que faríamos se fosse nosso irmão?!" você diria: "um irmão é uma coisa, mas milhões!...". O que fazer? Teremos ainda o agravante das novas tecnologias que substituem mão-de-obra por máquinas. Uma solução seria diminuir as horas de trabalho, para propiciar mais empregos nos mesmos postos (simplista? talvez...pensemos em alternativas, então...). E o salário? Com sabedoria e disposição cada governo encontrará uma solução adequada a cada conjuntura. Outra medida seria diminuir encargos sociais, pois se arrecadaria mais, cobrando menos de mais trabalhadores. Simplista de novo? "vamos resolver o problema, é nosso irmão!". Somente quando se tornar universal o sentimento de que é intolerável, injusto, imoral e portanto inaceitável a ultrajante diferença de nível de vida entre nós, havendo ainda irmãos que morrem de fome, assassinados ou sem qualquer tipo de assistência médica, é que realmente tais brutalidades serão combatidas eficazmente pelos políticos deste planeta. Nossa contribuição deve ser através da pressão da opinião pública, pois todos somos co-responsáveis pelas condições de vida em nosso planeta, o qual, afinal, é o nosso condomínio maior. 

Que a ONU inicie uma campanha para que a cada dia 1º de janeiro, dia da Confraternização Universal, todos chamemos a todos de irmão e irmã. É um começo tímido, mas é um começo. E todos nós, em nosso dia-a-dia, lembremo-nos de pensar e agir assim com todo ser humano que encontrarmos. Que iniciemos uma nova era. O Deus que existe dentro de você, ou fora, conforme sua religião (não importa o nome que se Lhe dê), sorrirá, pois finalmente sua criação, a humanidade, terá passado de ano na escola da evolução. 

Autor: Rodrigo F. de Barros

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