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Recompensa Escondida
"Será a sua recompensa como queres, para que a recuses? Pois tu tens que fazer a escolha, e não eu; portanto fala o que sabes." (Jo 34.33).
Certo rapazinho começou a trabalhar numa grande industria, prestando pequenos serviços externos para o setor de contabilidade. Era muito ágil e honesto. Nunca deixava para o amanha uma tarefa de hoje. Assim, o rapaz conquistou a simpatia dos seus superiores.
Depois de uns três anos de trabalho consciente e bem executado, o diretor da industria, desejando promove-lo para um cargo de confiança, decidiu testa-lo sem que ele percebesse que estava sendo alvo de uma experiência decisiva. Enviou-o numa missão especial a ser desincumbida em um grande centro localizado no Estado vizinho. Ali ele deveria avistar-se com todos os clientes da industria, efetuar cobranças das duplicatas vencidas e depositar em determinados bancos as importâncias recebidas, incumbindo-os de transferir os valores para a conta da industria em sua cidade. Para despertar nele um maior entusiasmo, o diretor prometeu recompensa-lo condignamente pelo trabalho desempenhado naquela oportunidade.
O moco voltou para casa, naquela tarde, vibrando e com mil planos na cabeça, já na certeza de receber uma importância significativa como recompensa pelos trabalhos que prestaria a industria. A pobre mãe, deixando-se contagiar pelo entusiasmo do filho, disse-lhe:
- Bem, filho, com a importância que espera receber, poderíamos comprar agora um guarda-roupa para nos livrarmos das malas, varais e cabides...
- Certo, mãe! Pode escolher o móvel que, tão logo eu regresse, efetuaremos a transação. Ha quanto tempo estamos carecendo fazer essa aquisição!
Enquanto o rapaz esteve viajando, o diretor pensou bastante sobre como recompensa-lo. Afinal, era um funcionário de confiança e que merecia a melhor de todas as gratificações ate então recebidas. Certa tarde, ele saiu e comprou algo que ficou guardado na gaveta da sua escrivaninha.
Em pouco mais de uma semana o moco se desincumbiu das obrigações que lhe foram confiadas e regressou. Após a prestação de contas, o diretor lhe entregou um embrulho pequeno, dizendo constar ele da sua recompensa pelos bons serviços prestados nessa empreitada. Tão logo deixou o escritório, o rapaz abriu o embrulho. Que decepção! Era apenas um par de luvas grossas.
Em casa, muito desapontado, ele entregou o embrulho já desfeito para a mãe, dizendo-lhe em tom de desanimo e melancolia:
- Mãe, ai esta o nosso guarda-roupa... La se foram nossas esperanças!
As luvas foram para a mala e ali ficaram esquecidas ate que um rigoroso inverno bateu inesperadamente. Foi ai que o moco lembrou-se das luvas. Apanhando-as, tentou logo meter o primeiro dedo, mas percebeu que alguma coisa impedia a sua entrada. Foi examina-las e só então descobriu, com grande surpresa, que o diretor havia colocado, em cada dedo delas, uma cédula de valor máximo na época, cuja soma daria para comprar ate dois guarda-roupas. Tudo tem o seu tempo e a sua hora - pensou o jovem.
De onde veio esta página. Do arquivo index__url_astral_e_fe_contos_religiosos_047.html.html, recuperado das capturas do Internet Archive. O texto acima é o mesmo, palavra por palavra: só a tipografia mudou.